DJ Flexb entrevista 10 anos de carreira

10 anos de carreira e muitas histórias pra contar: falamos com FlexB

TRACK DA SEMANA:


O clima é de celebração, mas o momento de reflexão. O ano de 2020 está sendo marcado por um período difícil para todos no planeta e um dos grandes setores afetados é o da cultura, mas não dá para simplesmente abaixar a cabeça e esperar essa tempestade passar. DJs e produtores ainda carregam uma função muito importante mesmo longe dos palcos: a de entreter o público e fazer da música uma das aliadas para vencer essa batalha.

Quem entende muito bem isso é Ronaldo Galdino, o FlexB, paulista que neste ano está completando 10 anos na estrada e tem consciência do poder curativo que a música carrega. Há algumas semanas, antes mesmo da pandemia ser uma realidade, o artista começou uma ação interessante para marcar essa data especial na carreira, lançando sets com diferentes narrativas que refletem seu perfil versátil e fazem de certa forma um resgate às suas principais referências.

O primeiro foi um voltado à sua estética dentro do Tech House, logo depois chegou um com produções e referências de Minimal, em seguida explorou seu know-how dentro do Progressive House e Techno e, para finalizar, liberou o set completo gravado na última edição do Universo Paralello, trabalho que resume perfeitamente seu DNA sonoro atual.

Dentro de uma década de carreira há muitas coisas para serem lembradas e abaixo nós tentamos resgatar um pouco disso através de uma entrevista exclusiva com Ronaldo. O bate-papo ficou bem legal:

Olá, Ronaldo! Tudo bem? Obrigado por topar conversar com a gente. Primeiramente queremos deixar nossos parabéns pela trajetória até aqui. Quando você iniciou a carreira na música, você já tinha em mente que seguiria com ela para o resto de sua vida? Como essa história começou?

FlexB: Eu que agradeço o espaço e oportunidade de falar um pouco sobre a minha história com a música. Tudo começou nos meus 12 anos de idade, nessa época, meu padrinho fazia parte de um grupo que produzia eventos de música eletrônica na minha cidade natal, Barretos.

Lembro de ficar pentelhando ele para me levar, nem que fosse para ficar apertando o botão que disparava fumaça. Ali eu tive meu primeiro contato com o DJ e a arte de discotecar. Sempre muito curioso e meio nerd, quando completei 14 anos, pedi aulas de DJ como presente de aniversário para meu padrinho e foi ai que tudo realmente começou.

De fato eu nunca imaginei viver tudo que já vivi até hoje pela música eletrônica, a única coisa que eu sabia naquela época era o quanto eu era apaixonado por isso.

Quais eram seus heróis na música naquele tempo? São os mesmos de hoje? 

FlexB: Quando comecei a tocar, ouvia muito Bob Sinclair, David Guetta e Benny Benassi. Alguns anos antes de começar a produzir, minha pesquisa na cena underground já era forte, foi quando passei a ouvir Boris Brejcha, Kanio, Pleasurekraft, Victor Ruiz, D-Nox & Beckers, Format B, Riktam & Bansi, Gabe e Weekend Heroes. 

Ficava encantado e ao mesmo tempo muito curioso em saber como aquelas músicas eram criadas. Esses caras foram os responsáveis uma pela minha curiosidade e energia para treinar como DJ e estudar para ser um produtor. Hoje em dia continuo admirando-os, mas percebi que parte dos meus heróis vai mudando, conforme o tempo passa.

Em 2014 você já lançava seu grande hit, Baby I’m Boss, track que repercutiu mundo afora e tocou em diversos clubs do Brasil. Como foi o reflexo disso na sua carreira? 

FlexB: Foi como um meteoro, literalmente! Até hoje lembro dos meus amigos me contando que ouviu ela tocar umas 4x em um festival, na semana seguinte outro comentou que ouviu ela várias vezes em uma festa ou balada, além do ‘boom’ inexplicável que ela teve naquele ano.

Muita gente passou a conhecer meu trabalho através dela, surgiram collabs, convites para tocar em festas e festivais, recebi muitas mensagens de pessoas que nunca vi na vida dizendo o quanto gostava da música… inclusive uma pessoa me disse que sempre ouve ela para se acalmar. É surreal o poder e alcance que ‘Baby I’m Boss’ teve, não só na minha vida.

Que outras produções autorais, remixes ou collab você destacaria que foram fundamentais para o seu crescimento na indústria?

FlexB: ‘I Like It Dirty’ foi um som que lancei em 2015 e que funcionava muito bem na pista, até hoje recebo vários pedidos para tocar ela. Dentre as collabs importantes, a ‘Oh Yeah’ com o Gabe foi uma das principais, uma honra ter produzido com esse cara que admiro tanto.

Depois disso veio a ‘Gold, Diamonds & Money’ com Gustavo Mota, ‘Day Party’ com Gabriel Boni e Nikols, “California” com Shapeless e Alex Senna, chegou até rolar um remix para ‘Anoop’ do Chapeleiro, dentre muitos outros remixes que tive o prazer de fazer.

Seu último lançamento, Tonight, em parceria com Sevek, possui alguns ingredientes especiais, não é mesmo? Conta mais como rolou essa collab e como foi a produção da faixa?

FlexB: Antes de começarmos a trabalhar nessa faixa, eu e o Sevek decidimos que essa música seria a fusão do já produzimos individualmente, ou seja, Future House com Bass House & Tech House. Um desafio e tanto né? E foi mesmo.

Com o vocal escrito e cantado pelo Sevek, a música já nasceu com um break e atmosfera pop, o meu desafio era quebrar o gelo e jogar aquele tempero do Tech House. Se você prestar bem a atenção, o groove e a bateria lembram o Tech House, já as melodias e vocais lembram faixas do Future House. Por fim o resultado foi incrível, a fusão funcionou bem no estúdio e nas pistas, adoramos.

Sua energia em cima dos palcos também já contagiou outras milhares de pessoas, recebendo um um feedback incrível da galera. Alguma gig em especial te marcou até aqui? Existe algum momento que você irá se lembrar para sempre?

FlexB: Com certeza, principalmente a minha apresentação no XXXPerience Festival São Paulo em 2015. Pouco depois que comecei tocar, começou uma chuva forte, à medida que a chuva aumentava, a pista enchia mesmo não sendo coberta. Foi surreal! Aquela energia de estreia em um dos maiores festivais do Brasil, somada a pista cheia com muita chuva… sem palavras!

Outra gig que me marcou muito, foi no final de outubro de 2015, quando toquei em Moçambique e Joanesburgo, dividindo o palco com o Kyle Watson e Purple Disco Machine. Em abril de 2016 outra inesquecível: quando fiz minha estreia no México, em uma festas no meio das montanhas em Monterrey.

Observamos que dificilmente um artista cresce de forma solitária no cenário, principalmente pela concorrência, por isso o networking e o relacionamento com diferentes players do mercado se faz tão necessária atualmente. Como você enxerga essa questão?

FlexB: Networking e relacionamento são fundamentais na minha visão e podem ser feitos de várias formas. No começo da minha carreira, por exemplo, me conectava com outros produtores para possíveis collabs e remixes, até mesmo ia em festas para bater um papo e ter essa aproximação.

Depois que criei minha primeira gravadora, meu networking e relacionamento foi aumentando a cada ano com profissionais do music business, produtores e DJs. Foi ali que me encontrei, me conectando cada vez mais a gravadoras digitais. Isso não quer dizer que todos devem abrir uma gravadora, mas sim tentar descobrir onde se encaixa melhor dentro dessa indústria gigante.

*Confira as três gravadoras comandadas por FlexB: Brazuka, Digiment e Abstract

Foram muitas conquistas nestes 10 anos, mas, então, o que você espera para os próximos 10? O que você acha que o futuro reserva de mais especial para o FlexB? Obrigado!

FlexB: Essa primeira década foi incrível e creio que isso foi possível porque eu não esperava nem 10% disso tudo, acho que essa é a magia da coisa. Sempre estou trabalhando, na ativa, mas nunca pensando tão longe, com muitos sonhos, claro, mas sempre com o pé no chão, dando um passo de cada vez.

FlexB significa ser flexível e do lado B, isso resume bem o que foram esses 10 anos, houve muitas mutações, metamorfoses, experimentos e aprendizados. Acho que assim será. Agradeço a oportunidade e espaço de falar do meu trabalho e espero ver todos vocês daqui 10 anos novamente. Muito obrigado e boas vibrações sempre! 

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Por Marllon Gauche