DJ e produtor baseado em Paris, SIB começou a tocar muito cedo e construiu sua trajetória a partir da pista. Com passagens por diferentes clubes e contextos ao longo dos anos, ele mantém um ponto importante de desenvolvimento com sua residência no Mirage Paris, que começou em 2022 e segue até hoje, onde toca long sets e aprofunda sua leitura de público com frequência.
Como produtor, lançou músicas por selos como Family N.A.M.E, Harabe, Temps Libre, Konflict e Natura Viva, desenvolvendo uma identidade que transita entre indie dance, house, tech house e melodic house & techno, sempre com foco em funcionalidade e coerência de pista.
Mas entender o trabalho de SIB hoje exige olhar além da cabine. Parte central da sua identidade vem da atuação como curador de eventos — um papel que, no seu caso, não acontece em paralelo à música, mas influencia diretamente a forma como ele toca, produz e se relaciona com a pista.
Em Paris, essa atuação se materializa principalmente em três projetos distintos, cada um com sua própria proposta, público e linguagem: Dust, Akira e Thème. Mais do que “marcas”, eles funcionam como laboratórios criativos, onde SIB exercita escuta, repertório e visão de cena.
A Dust nasceu como uma festa focada em música eletrônica contemporânea, conectando artistas internacionais e talentos locais em diferentes partes do mundo. Nas edições da França, o trabalho de curadoria passa por pensar lineups que façam sentido juntos, criar um fluxo musical para a noite e entender como o público reage a essas escolhas. Para SIB, esse contato direto com a pista — do outro lado da programação — acaba alimentando seu próprio repertório como DJ.
Já a Akira representa uma experiência mais contínua. A festa acontece semanalmente e exige uma leitura diferente: entender o público recorrente, ajustar a identidade musical ao longo do tempo e manter o frescor musical. Esse exercício constante de adaptação ajuda SIB a desenvolver uma visão mais prática sobre o que funciona (e o que não funciona) em um contexto real de clubbing — algo que ele leva diretamente para seus sets.
O Thème, por sua vez, amplia ainda mais esse olhar. Definido como uma série de experiências temáticas centradas na música eletrônica, o projeto propõe noites onde tudo parte de um conceito: dress code, venue, cenografia e atmosfera. Aqui, a curadoria vai além do som. Pensar o Thème significa refletir sobre estética, comportamento do público e como todos esses elementos interferem na experiência musical. Para SIB, esse tipo de projeto expande referências e o obriga a sair do automático.
Atuar nesses diferentes formatos faz com que SIB esteja constantemente exposto a novas ideias, artistas e dinâmicas de pista. É um processo que exige curiosidade, pesquisa e atenção ao detalhe — qualidades que acabam se refletindo tanto na sua discotecagem quanto na sua produção musical. Ao circular entre DJ booth, bastidores e pista, ele amplia seu entendimento da cultura clubber como um todo.
Seja tocando, produzindo ou montando uma noite do zero, SIB opera sempre a partir do contexto. Para ele, ser artista hoje também passa por criar espaços, provocar encontros e manter a música conectada às pessoas que estão ali, vivendo aquela experiência.







