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Do Paraná para Londres Merlotto consolida identidade entre o techno de pista e a sensibilidade brasileira

Do Paraná para Londres: Merlotto consolida identidade entre o techno de pista e a sensibilidade brasileira

Fabio de Lima, conhecido artisticamente como Merlotto, representa uma nova geração de artistas brasileiros que encontram na cena internacional um espaço de expansão criativa. Natural do Paraná e atualmente baseado em Londres, o produtor constrói sua trajetória a partir de um equilíbrio preciso entre técnica, repertório cultural e leitura de pista.

A música não surgiu por acaso em sua vida. Vinda de um ambiente familiar conectado ao universo musical, sua aproximação com o som foi orgânica, quase inevitável. O interesse inicial evoluiu para estudo e, posteriormente, para produção, abrindo caminho para o desenvolvimento de uma identidade própria. Hoje, essa identidade se manifesta na fusão entre referências da música eletrônica europeia e nuances brasileiras, criando faixas que dialogam tanto com a emoção quanto com a funcionalidade da pista.

Inspirado por nomes como Adam Beyer, Charlotte de Witte, Enrico Sangiuliano, Massano e Layton Giordani, Merlotto se posiciona dentro de um recorte contemporâneo do techno, mais direto e físico, mas sem abrir mão de camadas sensoriais.

Esse direcionamento fica evidente em suas produções mais recentes. Observando o comportamento da pista e as tendências globais, o artista percebeu uma transição para faixas menos melódicas e mais orientadas por vocais e impacto rítmico. Em resposta, decidiu não abandonar sua afinidade com a musicalidade, mas sim reinterpretá-la.

O resultado é uma construção que aposta em breaks mais limpos, com menos informação, priorizando tensão e harmonia como elementos centrais. É uma abordagem que funciona como um respiro calculado antes do impacto, como o silêncio que antecede uma explosão.

A influência de seu professor, também DJ e produtor, aparece como um elemento-chave nesse processo. Mais do que técnica, essa troca contribuiu para refinar sua percepção criativa, ajudando a transformar referências em linguagem própria.

O lançamento pela Future Techno Records reforça esse momento de alinhamento estético. Para Merlotto, a label não é apenas um canal de distribuição, mas um reflexo de uma fase específica da música eletrônica.

Um período marcado por faixas mais diretas, com foco na experiência física da pista, sem depender de construções melódicas previsíveis. A conexão com o selo, segundo ele, aconteceu de forma natural, resultado de uma sintonia clara entre proposta artística e curadoria.

Nas faixas “Trance The Love” e “Next To Me”, essa identidade ganha forma narrativa. A primeira não trata de amor no sentido literal, mas de um estado de imersão. A música funciona como um portal sensorial, onde a repetição cria uma espécie de transe e dissolve a percepção do tempo.

Já “Next To Me” segue um caminho mais introspectivo, explorando a ideia de presença. Não há exagero emocional, mas sim uma conexão silenciosa, quase minimalista, que se traduz tanto na letra quanto na progressão sonora.

Ambas as produções compartilham uma base conceitual comum. A repetição como ferramenta de indução. Elementos de trance aparecem na construção, enquanto o techno sustenta a pressão e o indie dance contribui com identidade. É um cruzamento de linguagens que reflete não apenas tendência, mas intenção.

O próximo passo já está em movimento. No dia 9 de maio, Merlotto se apresenta em Londres no evento “10 Years of Chaos”, consolidando sua presença no circuito europeu. Paralelamente, o artista planeja intensificar sua produção, com a meta de lançar ao menos dois EPs por mês, além de aprofundar seu repertório e expandir referências dentro da cena eletrônica global.

Mais do que acompanhar tendências, Merlotto demonstra entender o momento da música eletrônica. E, ao traduzir isso em som, começa a escrever sua própria leitura da pista.