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Duo de tech house e bass house, INNDRIVE lança funk e questiona os limites de gênero até onde um artista deve se prender ao próprio projeto?

Duo de tech house e bass house, INNDRIVE lança funk e questiona os limites de gênero: até onde um artista deve se prender ao próprio projeto?

Com “Deu Ruim”, Gabriel e Pedro exploram uma sonoridade diferente daquela que consolidou o duo e levantam uma discussão sobre identidade, criatividade e liberdade artística

Construir uma identidade sonora reconhecível é parte importante da trajetória de um artista na música eletrônica. Em um mercado dividido por gêneros, pistas e nichos, ter um som próprio ajuda a criar reconhecimento. Mas o que acontece quando essa identidade começa também a determinar o que um artista pode ou não lançar?

É a partir dessa discussão que o INNDRIVE apresenta “Deu Ruim”. Conhecido principalmente pelo tech house e bass house, o duo formado por Gabriel e Pedro decidiu lançar um funk e abrir espaço para referências que sempre fizeram parte do estúdio, mesmo sem chegar oficialmente ao público.

Todo projeto tem suas fases que precisam ser respeitadas. Com o INNDRIVE, por um bom tempo, nossa preocupação foi firmar no público a nossa identidade sonora e consolidar uma base de fãs que se identificam com essa sonoridade.”

Enquanto essa construção acontecia, experimentar outros caminhos nunca deixou de fazer parte do processo criativo.

Nunca deixamos de produzir outros gêneros, seja por hobby, prática, treino ou pura expressão artística. É importante lembrar que, apesar dos objetivos e metas do projeto, música ainda é arte e a criatividade se perde quando focamos na música apenas como produto.”

Mudar o gênero sem perder a identidade

Explorar uma sonoridade diferente também traz riscos. Público, plataformas, gravadoras e contratantes criam expectativas em torno de um projeto, e romper com elas pode gerar dúvidas sobre seu posicionamento.

Para o INNDRIVE, o momento atual permite assumir esse risco sem abandonar os códigos construídos ao longo da trajetória.

Acreditar que hoje temos uma identidade sonora firmada e uma base de fãs consolidada traz coragem para lidar com esses receios.”

Essa continuidade também aparece musicalmente em “Deu Ruim”.

É possível encontrar na ‘Deu Ruim’ elementos que usamos nos bass house que produzimos, que por sua vez também estão nos tech house. Independente do gênero, ainda é INNDRIVE.”

A troca entre estilos também alimenta as próprias produções eletrônicas.

Aplicamos muita coisa na música eletrônica que aprendemos estudando outros gêneros, como técnicas específicas de composição, arranjo, sound design e mixagem.”

Do tech house ao funk

Para Gabriel e Pedro, essa liberdade encontra terreno fértil no Brasil, onde diferentes linguagens musicais historicamente se cruzam e se transformam.

No Brasil estamos o tempo todo bebendo de diversas fontes: a música eletrônica consumindo do disco, que está cheio de referências do soul, que por sua vez influencia gêneros como o samba e a bossa nova, que integram a MPB e por aí vai.”

“Deu Ruim” inaugura, assim, uma fase em que o público deve conhecer outras referências por trás do INNDRIVE e, consequentemente, mais de Gabriel e Pedro como artistas.

Esse é o nosso intuito com a ‘Deu Ruim’ e os próximos lançamentos que faremos de diferentes gêneros. O público já conhece o INNDRIVE, mas queremos agora que conheçam mais do Gabriel e do Pedro também.”

E a dupla prefere não estabelecer uma fronteira para essa experimentação.

Assim como hoje lançamos gêneros que não pretendíamos cinco anos atrás, muito provavelmente nos próximos cinco anos lançaremos coisas que não pretendemos hoje.”

A primeira aposta já chegou ao Top 1

A resposta a essa mudança veio rápido. “Deu Ruim” alcançou o Top 1 de Brazilian Funk no Beatport, justamente na primeira incursão do INNDRIVE pelo gênero.

Felizes demais em alcançar essa marca já na primeira vez em que saímos da nossa zona de conforto e lançamos algo diferente do que estamos acostumados. É muito gratificante saber que muita gente abraçou a ideia e está baixando o som para tocar. Isso nos motiva a sair da caixa cada vez mais”, celebram.

O resultado dá força à discussão que acompanha o lançamento. Se uma identidade artística precisa ser reconhecível, ela não necessariamente precisa ser imóvel. No caso do INNDRIVE, a primeira experiência fora do território habitual não apenas encontrou espaço, como chegou ao topo do gênero no Beatport.