A 8ª edição do Bloco Dre Tarde reuniu aproximadamente 40 mil pessoas na Avenida Faria Lima durante a segunda-feira de Carnaval em São Paulo, reafirmando o espaço da música eletrônica na rua e consolidando o bloco como uma das tradições recentes do calendário carnavalesco da cidade.
Após mais uma edição marcante, Dre Guazzelli falou sobre a trajetória do bloco, os momentos que mais o marcaram neste ano e os desafios que ainda fazem parte da construção do projeto.
Quando você olha para essa 8ª edição, qual foi o momento que mais te marcou pessoalmente?
Dre: Eu acho que o momento mais marcante dessa 8ª edição foi acordar naquele dia e ver o céu azul. Eu tinha acabado de viver um dia muito especial de show e percebi que aquele sonho de oito anos atrás tinha realmente se tornado realidade.
Hoje essa segunda-feira de Carnaval é relevante e traz música eletrônica do jeito que eu queria trazer para a cidade. A bandeira está fincada na Faria Lima, que é uma avenida simbolicamente muito movimentada, cheia de carros e trânsito. Poder parar tudo aquilo e ver só pessoas curtindo aquele momento, vindas de diferentes lugares, foi muito marcante.
Foi chegar lá e perceber que valeu muito a pena acreditar naquele sonho lá de trás.
O que faz o Bloco Dre Tarde continuar relevante após oito edições?
Dre: Eu acho que o que faz continuar relevante após oito edições é o amor colocado. Esse amor chama amigos, os amigos chamam outros amigos e, de pouco em pouco, sem pressa, mas com 100% de foco, a gente consegue chegar em algum lugar. Esse lugar é de dentro pra fora o lugar que eu sempre sonhei em chegar.
A gente já chegou com o Dre Tarde em vários marcos importantes, como 50 edições e 10 anos do projeto. Oito anos de Carnaval também vão chegar nesse marco de uma década. A gente tenta sempre fazer cada vez melhor, sem perder a direção, que é simplesmente entregar boa música na avenida com a maior qualidade de estrutura que a gente consegue.
Às vezes é um investimento financeiro maior do que o retorno que a gente recebe. Falta marca para patrocinar, a gente acaba gastando mais do que recebe financeiramente. Mas a alegria que isso traz compensa qualquer investimento. Meu coração diz sim sempre, e isso faz continuar.
O que você sentiu ao ver a avenida cheia mais uma vez, e talvez maior do que nunca?
Dre: Eu acho que essa foi a maior edição até agora. Ver a avenida cheia, todo mundo feliz, dançando, é o sonho sendo realizado.
Organizar tudo é bem estressante, mas quando você tem um time bom fica muito mais leve, porque a gente consegue dividir tarefas e multiplicar soluções.
Para mim também foi uma volta ao começo de tudo, lá atrás, quando eu ainda estava na escola e nem sabia exatamente o que eu ia fazer da vida. Mas eu já sabia que tocar música e fazer festa era algo que tocava meu coração.
A chuva no final mudou algo na energia para você? Como foi viver aquele momento no trio?
Dre: Uma vez ou outra já choveu em outras edições. A gente está numa época do ano em que faz muito calor e às vezes cai aquela chuva de verão, e não foi diferente.
Mas foi uma chuva maravilhosa, não foi uma tempestade. Foi aquela chuva que parece que vem para abençoar, para lavar a alma e reconectar todo mundo.
Eu até tinha preparado algumas tracks mais hip-side e toquei nesse momento. Em muitos festivais que já vivi ao longo da minha carreira, quando a chuva chega ela cria momentos memoráveis. E nesse dia não foi diferente, foi realmente inesquecível.
Depois de oito edições, o que ainda te desafia na construção do bloco?
Dre: O grande desafio hoje é conseguir patrocínios para realmente pagar as contas e fazer com que todo esse trabalho seja remunerado, porque é muito trabalho.
Eu tento conversar com muitas pessoas, trazer amigos que trabalham em marcas, mostrar a seriedade da nossa entrega e tentar encaixar o bloco dentro de um calendário maior.
Ainda não atingimos essa meta, mas muitas outras já foram alcançadas. Essa vai vir por consequência. Mesmo assim, é um desafio real.
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