Carnaval Eletronico As batidas no lugar das marchinhas
Na foto: Dre Guazzelli via facebook

Carnaval Eletrônico – As batidas no lugar das marchinhas

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São diferentes tipos de gostos, cores, sabores… Todos juntos na avenida, celebrando e dançando. Carnaval é música, música é dança, e dança é coração. Esses três elementos me alegram muito, por isso a força e a vontade de participar, e é o que a gente tem feito cada vez mais, mais ativos, mais presentes, mais contentes.”

E foi com essas palavras que Dre Guazzelli, DJ, produtor e fundador do Bloco DRE Carnaval se referiu ao carnaval brasileiro, uma das maiores festas do mundo.

E muito além do que um grande evento, é também uma manifestação cultural que abre espaço para a diversidade, e seja com relação a região ou gênero musical, a tradição carnavalesca começou a ganhar novos formatos.

Nesse sentido, a música eletrônica caiu no gosto dos foliões, que trocaram as marchinhas pelas batidas, e é possível ver um enorme avanço na popularidade do movimento com o passar dos anos, seja em blocos de rua ou em grandes festivais.

Trio elétrico, ou melhor, eletrônico

Impossível pensar em carnaval sem vir às nossas cabeças aquela imagem do trio puxando uma multidão de foliões alegres por onde passa, e com a música eletrônica não é diferente: cidades de todos os estados do Brasil vem cada vez mais abrindo espaço para as batidas computadorizadas.

O bloco Unidos do BPM foi pioneiro no assunto em SP e, desde 2016, faz ecoar o som do techno e vertentes underground para um público de mais de 30.000 pessoas nas ruas da capital paulista.

Alok também movimentou as ruas de São Paulo, levando consigo impressionantes 500 mil foliões em seu bloco.

O carnaval de São Paulo está crescendo e ter a oportunidade de levar a música eletrônica para as ruas é sensacional. Vou fazer da Faria Lima um palco de um festival de música eletrônica. Só estar em um trio já representa uma narrativa diferente do meu trabalho, mas neste ano estamos com estrutura e cenografia bem diferentes, que transformam o trio em um palco” disse ele.

Já no Rio de Janeiro, Fernando Deperon, fundador do bloco Me Gusta apontou:

Quando a gente começou praticamente não tinha nada de eletrônico na rua, hoje isso é normal, e o bloco nunca parou de crescer”.

Hoje o bloco completa 6 anos tem como um de seus principais pilares a pluralidade e diversidade.

Em Salvador não foi diferente, o trio Major Lazer desfilou no Carnaval, em trio independente, sem cordas, e arrastou milhares de foliões da Barra até a Ondina.

Formado por Diplo, Walshy Fire e Ape Drums, se apresentaram pelo segundo ano consecutivo na folia baiana e, repetindo o sucesso de 2019, convidou a banda baiana ÀTTØØXXÁ e o duo paulista TropKillaz.

O carnaval de Belo Horizonte, hoje um dos maiores do país, não fica para trás quando se trata de bloquinhos eletrônicos. O bloco Mikatreta, produzido pelo coletivo Masterplano, busca utilizar as festas como um recurso para redescobrir a cidade e seus espaços.

Articulando música, arte e temáticas que atravessam essas experiências, como ativismo de gênero, sexualidade, territórios e a própria forma de produção, o coletivo convida o público a experimentar e construir espaços híbridos que quebram as fronteiras entre a rua, o entretenimento e o ativismo.

E se engana quem pensa que o carnaval de Pernambuco são somente os tradicionais Bonecos de Olinda: uma programação dedicada exclusivamente à música eletrônica foi montada na capital pernambucana durante o carnaval de 2020.

Nascido em Recife, o projeto REC.DJ contempla segmentos como Black Music, Psy, Trance e Trap e tem como pano de fundo o debate sobre a preservação do meio ambiente. Karla Gnom, uma das artistas que comandaram as picapes do evento, afirmou:

Eu acho que o carnaval tem que acolher todos os gêneros de música, porque é tudo alegria. São ritmos eletrizantes, com um público específico que só consegue viver isso em festivais, raves. E agora vai acontecer no carnaval”

A iniciativa também contemplou alguns jovens que foram formados nas oficinas de DJ, que acontecem há quatro anos em unidades do Compaz como a do Alto Santa Terezinha, onde DJ Big atua como coordenador de eventos. Mostrando que carnaval, música eletrônica e inclusão tem tudo a ver.

Das ruas aos grandes palcos

Carnaval não é sobre o lugar no qual as pessoas se encontram, e sim sobre o momento de alegria, união e celebração. Sendo assim, milhares de foliões optam por ir à festivais durante essa época do ano.

Assim como os blocos, é possível ver uma crescente muito forte no movimento dos festivais e outras festas privadas e o ano de 2020 foi a prova viva disso. No país inteiro vimos grandes nomes da cena eletrônica, nacional e internacional, se apresentando nos palcos carnavalescos.

Timmy Trumpet, por exemplo, se apresentou no Rio Music Music CarnivalCarnaval do Mirante, em BH, e no festival AME Laroc, que também contou com Chemical Dogz, ILLUSIONIZE, KSHMR, Kungs, Loud Luxury, Sam Feldt, Vini Vici e W&W.

Martin Garrix também aproveitou sua vinda ao Brasil, se apresentando no Carnaval do B.E.M., na capital mineira, e no Maori Beach Club, em Porto Alegre. Diplo também não se conteve com sua apresentação na Bahia como Major Lazer e deu um show no Carnaval do Mirante.

Para os amantes do underground, a Warung (SP) trouxe artistas como &Me B2B Adam Port, Albuquerque, Conti&Mandi, Kaiq, Bianco Vargas e muito mais. Também no festival AME Laroc, porém no palco AME, foi ARTBAT, Claptone, Gabe, Guy Gerber, Joris Voorn e Meduza que comandaram a pista.

E apesar de ter tomado grandes proporções nos últimos anos, o carnaval eletrônico não é tão novo assim. Fatboy Slim, astro da house music dos anos 90/00 acumula apresentações na festança brasileira desde 2006, assim como Armin Van Buuren, David Guetta e Bob Sinclair que também já são velhos de casa quando o assunto é folia.

Carnaval também é música eletrônica!

Vinicius de Moraes, renomado poeta e dramaturgo brasileiro, já dizia “Carnaval, a festa onde os tabus perdem força e as permissões tornam-se hiperbólicas”. E foi justamente por isso que a música eletrônica tem conquistado seu espaço, antes considerada um tabu deixada de lado durante o carnaval e agora mobilizando milhares de foliões por onde passa.

Carnaval é uma festa popular, uma festa do povo, e se o povo quer curtir batidas eletrônicas ao invés de marchinhas, que mal tem? Como disse Anamari, na música Manifesto, com Vintage Culture: “Axé pra quem é de axé, amém pra quem é de amém… Viva a sua filosofia, ame a sua arte, creia na sua religião e faça a sua parte”

A festa não é sobre axé, eletrônica, samba, pagode, hip hop ou sertanejo, é sobre se divertir, sobre paz, união, amor e respeito. Então, que tal deixar de lado velhas opiniões sobre o que pode e não pode ser escutado no carnaval? Não me leve a mal, ano que vem tem carnaval!  

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