A cena hard techno internacional atravessa uma de suas maiores crises após a circulação de múltiplas acusações de má conduta sexual envolvendo DJs de enorme projeção. As denúncias começaram a ganhar visibilidade por meio de postagens nas redes sociais e rapidamente desencadearam uma série de desdobramentos: pronunciamentos públicos, suspensão de contratos, remoção de artistas de lineups e uma intensa discussão sobre responsabilidade e segurança dentro da música eletrônica.
Como o caso veio à tona
A repercussão teve início após publicações atribuídas a Brad No Limit, identificado como ex-colaborador da agência STEER Management. A partir dessas postagens, relatos de possíveis vítimas começaram a circular no Instagram e em outras plataformas digitais, frequentemente acompanhados de capturas de tela e testemunhos pessoais.
Com a viralização do conteúdo, novos relatos passaram a emergir, ampliando o alcance das acusações e colocando sob escrutínio parte da cena hard techno europeia.
Artistas citados
Entre os nomes mencionados nos relatos que circulam online estão:
- Shlømo
- Basswell
- Odymel
- CARV
- Fantasm
- Hades
As acusações relatadas variam entre alegações de assédio sexual, envio de conteúdo íntimo, comportamentos coercitivos e situações classificadas por denunciantes como agressão ou abuso. É importante destacar que, até o momento, essas alegações têm circulado majoritariamente no ambiente digital.
Posicionamento dos artistas
Alguns dos DJs citados se manifestaram publicamente.
Fantasm (Kenzo Messervi) declarou estar ciente das acusações que circulam online, mas não detalhou o teor específico dos relatos.
Odymel afirmou que o episódio mencionado em uma das acusações teria ocorrido durante um episódio de sonambulismo após um encontro consensual, alegando não ter memória clara dos acontecimentos. O artista informou que uma investigação preliminar estaria em andamento e que ele estaria cooperando com o processo.
CARV reconheceu ter mantido conversas privadas com diversas mulheres que evoluíram para conteúdos explícitos e confirmou o envio de imagens íntimas próprias. O artista afirmou ter ultrapassado limites e assumiu responsabilidade por suas atitudes, mas negou qualquer conduta criminosa ou comportamento não consensual. Em comunicado, anunciou o encerramento definitivo do projeto “DJ Carv”, o cancelamento de todas as apresentações e a desativação de suas redes sociais.
Shlømo se manifestou por meio de suas redes sociais, classificando as acusações como parte de uma “campanha de difamação baseada em informações falsas”. O artista afirmou que pretende “adotar medidas legais” e anunciou que se afastará temporariamente da vida pública enquanto a situação é esclarecida.
Hades também utilizou suas redes para se pronunciar, declarando ser “inocente” diante das alegações que circulam online. Em publicação no Instagram, afirmou que não permitirá que “controlem sua história” e agradeceu o apoio recebido ao longo dos últimos dias.
Resposta da STEER Management
A STEER Management, agência citada nas primeiras publicações, informou que suspendeu colaborações com artistas envolvidos nas alegações. Em comunicado oficial, declarou que, diante da multiplicação das acusações, “inação não é uma opção”.
A empresa afirmou estar conduzindo uma revisão interna completa e ressaltou que não atua como instância judicial ou autoridade investigativa. O roster de artistas foi removido do site oficial da agência, medida interpretada como cautelar enquanto os fatos são apurados.
Impacto imediato nos festivais
A repercussão também atingiu diretamente o circuito de festivais. Diversos eventos anunciaram a retirada de artistas mencionados das programações, entre eles:
- Hive Festival
- Sea You Festival
- Glitch Festival
- Pitch Music & Arts
- Digi Festival
- The Riot
- Verknipt Festival
- Blackworks
Os organizadores indicaram que as decisões foram tomadas preventivamente, enquanto a situação permanece em desenvolvimento.
Paralelamente, a plataforma Me Too DJs foi ativada para oferecer apoio e recursos a vítimas e testemunhas, reforçando a mobilização da comunidade em torno da segurança e do acolhimento dentro da indústria.
O cenário atual
Até o momento:
- Não há decisões judiciais públicas confirmadas.
- Algumas investigações preliminares estariam em curso, segundo declarações de artistas e agências.
- A maior parte das informações segue baseada em relatos compartilhados nas redes sociais.
- A situação permanece em evolução.
Debate estrutural na música eletrônica
O episódio desencadeou uma discussão mais ampla sobre ética, dinâmicas de poder e cultura de bastidores na música eletrônica. Profissionais do setor e fãs passaram a debater a responsabilidade de artistas, agências e promotores na criação de ambientes mais seguros.
Temas como consentimento, limites profissionais, accountability, cultura do cancelamento e devido processo legal passaram a dominar fóruns, comentários e veículos especializados.
Independentemente dos desdobramentos jurídicos, o caso já produz impactos concretos na cena hard techno — tanto em termos de reputação quanto de estrutura operacional — e pode marcar um ponto de inflexão na forma como o setor lida com denúncias públicas e crises institucionais.
A situação segue em desenvolvimento e novos desdobramentos podem surgir à medida que investigações avançam ou novos relatos venham à tona.






