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“Mammoth” é a maior música da história do Tomorrowland e isso é apenas um fato

Se a questão se estender ao âmbito global, eu até aceito um contraponto, mas você terá trabalho em me convencer do contrário

TRACK DA SEMANA:


Permitam-me a arrogância de fazer de uma visão, o fato. O ponto é: eu não tenho a mais remota e breve minúscula dúvida a esse respeito. É a maior música de todos os tempos, mais de 15 anos, do maior festival de música eletrônica do universo – outro fato. 

Acredito eu que vocês compartilhem do meu apego emocional e do ponto de partida dessa relação romântica que temos eu e ela. A primeira vez foi com o aftermovie do Tomorrowland, em 2012, num mashup lindo com “Midnight City”. Tão lembrados disso? Fatalmente cairá um cisco no meu olho se me alongar nessa lembrança.

Desde então, a repetição desse mesmo som, naquele mesmo palco, por aquela mesma dupla foram solidificando um momento. E a momento eu credito toda a sobrenaturalidade de algo mágico. É tudo igual, mas não caminha pro enjôo, vai rumo ao épico, ao ritualístico, mesmo. A gente espera acontecer.

E cá não estamos tratando de um hit radiofônico com uma sopa de numerozinhos que empilham recordes e lucros. É muito mais um aspecto afetuoso que quem viveu, sabe, e quem não viveu, não dimensiona com exatidão. Eu já gostava, mas o meu momento foi quando, em solos brazucas, assisti à epicidade toda. Me faltam palavras até hoje.

“Mammoth”, que também foi “Body Talk”, em versão cantada – com brilhantismo, por Julian Perretta, é desse tipo de música que talvez não volte a existir. E nem precisa, pra ser sincero. Seu tamanho é suficiente para mantê-la incólume ao tempo e digna de toda a celebração que sempre existiu a seu respeito. É do tipo eterna.

Você, veja só que obviedade, tem tracks preferidas e talvez essa não faça parte do seu top 5. Te digo que nem precisaria estar. Eu tenho, também – e ela está, mas eu te sugiro pensar na sua reação, se já viu, de lembrança, e se não viu, de sonho, quando presenciar um palco abarrotado e ouvir: ‘for you, baby”. 

É sobre esse momento. Sobre os 15 segundos durante os quais os acordes começam a invadir sem pedir licença o seu sentimento mais gostoso e você perde toda a decência artística e apenas aproveita. Você sente, saca? É o que tem de mais mágico nessa coisa toda que a gente gosta tanto.

Chacoalhar, de casa ou do mainstage, todos os seus músculos enquanto canta pateticamente uma verdadeira onomatopéia: pã pã pã, pãrãrã pãrãrãpãpã, pãpãpã. Linda letra que jamais existiu e que nós criamos. Que nós cantamos por não caber no corpo o sentimento que acordes e beats causavam. Estado da arte, sinestesia. 

A bandeira – que eu comprei por alguns reais exagerados, vive no meu quarto presa à parede, mas meus olhos a vêem tremular enquanto Dimitri Vegas, à nossa direita, e Like Mike, à nossa esquerda, sustentam-na pelas pontas, enquanto cantam no microfone aquela mesma letra bobalhona que citei. Do céu, os fogos fecham a cena.

O meu argumento é o meu coração. E eu duvido que exista um mais honesto para celebrar “Mammoth” como a maior de todos os tempos.