Mulheres Managers: A profissão contada por elas

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Elas chegaram a um dos maiores cargos que há na indústria da música eletrônica. Com persistência e amor à causa, passaram por inúmeras barreiras estruturais e históricas para serem o que são hoje. Conheça a história de três mulheres que venceram na carreira e que se tornaram managers de sucesso.

Bruna conta que ser manager nunca foi uma opção. 

Nunca tinha passado isso pela minha cabeça. A vida me trouxe essa oportunidade e eu encarei. Estou no mercado há 12 anos como produtora de eventos e em 2015 contratei a DJ Samhara para uma das minhas festas. Nesse dia começamos a nos conectar com ideias, valores e propósito. A partir daí comecei a minha história com os artistas.”

Jéssica disse que “caiu de paraquedas” na função. 

Caí nisso por ser uma apaixonada por música eletrônica! A primeira artista com quem eu trabalhei foi a Carola e quando começamos eu não sabia o que era ser manager, eu apenas enxergava as dificuldades no projeto dela e tentava ao máximo facilitar as conquistas. Hoje, ela é uma das maiores artistas do Brasil, então eu sei que fiz um bom trabalho.”

Sabrina, por fim, explicou que sempre quis se aprofundar na complexidade da carreira artística.

Entendi que, mesmo depois de 6 anos trabalhando na área, eu poderia me desenvolver ainda mais nesse mercado. Por fim, ter a oportunidade de fazer parte da transformação e construção da carreira de artistas que eu acredito, ver esses artistas crescendo e estar nesse dia a dia foi e ainda é um grande fator motivador para essa decisão.”

Um trabalho difícil

Me arrisquei do zero e percebi que era necessário aprender técnicas eficientes para gerir, vender shows e modelar carreiras. Estava num momento difícil à frente dos eventos, então foquei no Management e descobri o meu melhor dom: resolver problemas, vender e me relacionar com pessoas. Criei os meus próprios métodos que me trouxeram grandes frutos durante essa trajetória”, contou Bruna. 

Jéssica endossa o discurso ao mostrar sua trajetória na cena: 

O maior desafio é a dificuldade em criar relações significativas. Você não encontra na internet um curso de como criar um network, por exemplo, e isso conta muito nesse mercado! É você conseguir fazer com que a música do artista que você acredita seja ouvida por mais pessoas, para que a entrega seja boa, que ele consiga alcançar uma boa gravadora e a imagem e o som sejam coisas que conversem entre si”.

Sabrina, que tem já uma trajetória extensa na música, contou sobre sua história e percalços: 

O maior desafio, com certeza, é segurar a ansiedade, as incertezas. Mas temos um valor na Sismo que é o seguinte: vamos nos dedicar demais para chegar naquele lugar mais alto que a gente sonha, mas não podemos deixar de valorizar cada pequena coisinha que conquistamos nesta jornada. Tentamos exercitar isso diariamente. 

Além desta realidade macro, existem algumas outras questões no caminho que a gente vai driblando, como por exemplo quando uma artista nossa – mulher – é questionada em relação às suas próprias músicas, se é ela mesma quem produz (sim, esse tipo de pergunta ainda existe!).

Ou quando a gente olha em volta e dá de cara com line-ups majoritariamente masculinos, sendo que existem tantas artistas mulheres com carreiras sólidas – com números, com fanbase relevante, com milhões de streamings, etc. Estas coisas não nos desanimam mais, porque confiamos que estamos contribuindo para alterar pelo menos um pouco essa estrutura. E o mundo como um todo, apesar de parecer lentamente, está evoluindo”, finalizou.

TRAJETÓRIAS E DICAS

Elas chegaram lá, venceram, mas o caminho até as certezas foi marcado pelas dúvidas, tema sobre o qual discorreram com a nossa reportagem – e deram dicas sobre a profissão. 

Bruna:

Hoje é buscar o equilíbrio entre trabalho, expectativa e saúde mental. Pra mim, o maior estímulo será sempre lidar com expectativas reais e ter uma relação genuína com o artista. Não consigo acreditar numa carreira onde ambos estejam buscando coisas diferentes.  O mood tem que ser o mesmo. Se não for, existe muita frustração e isso adoece o relacionamento. 

Essas provações me fizeram planejar e estudar muito para buscar um modelo de negócio rentável, promissor e, principalmente, que me fizesse feliz! Houve uma época que eu fazia por dinheiro, não dormia bem, não descansava a mente. Hoje eu trabalho pela minha história, para quebrar paradigmas, deixar um legado. O resto é consequência.”

Jéssica:

As características mais fortes para dar certo nesse mundo são: ser paciente, enxergar as falhas do artista, abraçar essas falhas, saber ouvir, filtrar as críticas e se entregar 100% para o projeto no qual você trabalha! 

É necessário sentir-se parte daquilo que se está construindo. Minhas principais tarefas hoje são: contribuir com a identidade sonora, visual, social media e várias outras funções. 

E deixo uma dica, que é só trabalhar com artistas nos quais você acredita 100%! Não perca tempo e não deposite sua energia em algo raso! Isso jamais trará conquistas significativas para você!”

Sabrina:

É preciso estar aberta para aprender 24/7, paciência, perseverança, resiliência e muita, muita dedicação. O trabalho de Management é integral, não tem dia, não tem horário. Então, alinhar expectativas e seguir com afinco nas suas competências é fundamental para realizar essa função.

Cada artista tem suas necessidades e existem vários modelos de atuação. Nós tentamos sempre entender a realidade de cada artista, definir objetivos e desenhar como alcançaremos estas metas dentro de algumas áreas. Existem outras inúmeras atividades, mas sempre nos guiamos para executar tudo com pensamento muito crítico e tentando nos antecipar, seja a uma tendência ou a um problema. Além disso, tem o lado humano desse ofício, que é onde nós gostamos também muito de estar.”

CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS PARA ATUAR NA PROFISSÃO:

– Ser estudioso(a);

– Saber vender (mesmo que o artista tenha booker, ninguém vende o artista melhor do que o manager, afinal, ninguém conhece ele melhor do que a pessoa que está mais próxima na sua carreira);

– Saber liderar;

– Ser acessível;

– Ser bem relacionado(a);

– Ter uma visão macro de marketing;

– Ter uma visão detalhada de vendas;

– Ter disposição para investir tempo, atenção e dinheiro na sua marca pessoal.

PRINCIPAIS TAREFAS DE UMA MANAGER:

– Criar estratégias (tomar a frente da carreira do artista);

– Estudar e ter visão de entrega de um show;

– Opinar de forma crítica nas produções musicais;

– Liderar e selecionar a equipe do artista, lidar com pessoas (tudo vai ser reportado a você);

– Fazer bom networking com o mercado;

– Desenvolver negócios e ser responsável por trazer novas oportunidades (Ex: parceria com marcas);

– Tomar decisões pelo artista e resolver todos os problemas (Ex: horário, line-up, gravadora, agência); 

– Liderar e ter ótimo relacionamento com bookers de agências e independentes; 

– Ser empreendedor e fazer bons investimentos.

UM OLHAR PRO FUTURO

Para apoiar e incentivar nossas mulheres a progredirem e vencerem na profissão, elas mandaram recados!

Bruna disse:

Antes de mais nada, saiba que é um trabalho sério e complexo. Precisa de muita responsabilidade e força de vontade para crescer.  O primeiro passo para alcançar o sucesso é defini-lo para nós mesmos. É saber enxergar claramente o que é que nos faz feliz, o que é que nos move e nos inspira. Tendo nossa definição de sucesso bem clara em nossas mentes, estaremos finalmente capazes de ir em busca dele”.

E Sabrina encerrou o papo com um voto de esperança e de luz para que novos casos de sucesso surjam o mais rápido possível:

Sempre façam tudo que puderem para absorver todo conhecimento possível. Não tenham medo de se arriscar, questionar, aprender. O caminho é árduo e longo, mas as pequenas conquistas ao longo dessa intensa jornada são muito gratificantes”.

Sonhe. Elas provaram que o sucesso sempre pode ser alcançado!