NFT A revolução no consumo de arte na indústria da música
Imagem do NFT por Felipe Jannotti

NFT – A revolução no consumo de arte na indústria da música

Vídeos curtos com trechos de músicas e prints de tweets antigos sendo vendidos por milhões de dólares, casas virtuais e autorretratos de robôs inteligentes sendo leiloados por valores exorbitantes. Tudo isso pode parecer um pouco fora da nossa realidade, mas graças à tecnologia NFT, isso está acontecendo e vem ganhando cada vez mais força.

A arte sofre diversas mudanças e adaptações ao longo tempo, desde os primórdios das pinturas nas cavernas até os dias atuais. Talvez você já tenha se esbarrado com o termo NFT por aí em algum lugar da internet, e essa sigla representa a materialização de todo o processo evolutivo da arte. NFT significa Non-Fungible Token, do português, Token Não Fungível, e para compreendermos melhor o que é isso, é preciso entender o que é fungibilidade e o que a determina. 

Fungível vs. Não Fungível

Imagine que você tenha uma nota de R$20,00 na sua carteira, ela pode ser trocada por outra de R$20,00 sem que haja qualquer diferença no câmbio, porque, afinal, vinte reais são vinte reais. Agora, imagine que você encontra o seu DJ favorito na rua e lhe pede um autógrafo, mas você não tem nada para ele autografar a não ser essa nota. 

A nota comum é um ítem fungível: um bem que pode ser substituído por outro da mesma espécie, quantidade e qualidade. Exemplos de bens fungíveis são o dinheiro, metais preciosos, cereais, petróleo, entre outros. 

Já a nota autografada, torna-se um ítem infungível: ela tem um valor único, subjetivo, determinado pela oferta e demanda da mesma, para um fã, ela pode valer centenas de reais, para uma pessoa que não conhece o dono do autógrafo, ela pode ter perdido completamente seu valor. Exemplos de bens infungíveis: um ítem de colecionador, a medalha de alguma competição, a pintura original de um artista, e o motivo pelo qual estamos aqui: os NFTs. 

O que é um NFT? Nunca vi, nem comi, eu só ouvi falar.

Agora que já entendemos o significado da sigla, vamos falar sobre o que ela representa, de fato. De maneira resumida, um NFT nada mais é do que um certificado de propriedade digital inviolável, ou seja, uma garantia de posse e originalidade de um certo ítem. 

Para garantir a exclusividade de um certo bem, os NFTs utilizam de uma tecnologia denominada Blockchain, a mesma utilizada pelo Bitcoin e outras criptomoedas. O Blockchain é uma rede que funciona com blocos extremamente seguros de informações encadeadas, que sempre carregam um conteúdo junto a uma impressão digital única. No caso do bitcoin, esse conteúdo é uma transação financeira, e no caso dos NFTs, o conteúdo é um token que garante a autenticidade do seu produto e instruções de como acessá-lo. 

Um registro de cada transação NFT é mantido em um blockchain, tornando-o parte de um registro público permanente e servindo como uma certificação de autenticidade que não pode ser alterada ou apagada. Então, na verdade, o NFT não é o produto em si, mas sim a garantia de originalidade do mesmo. Sendo ele único, e de valor subjetivo, isso o torna não fungível.

Impactos no mercado artístico

Desde a sua origem, em 2015, o número de artistas interessados em utilizar dessa tecnologia para vender suas obras vem crescendo exponencialmente, mas quais as vantagens de se fazê-lo? 

Assim como uma obra de arte física e outros bens não fungíveis, os valores de compra e venda podem atingir altíssimos patamares, o céu é o limite. 3LAU, DJ e produtor norte-americano, foi pioneiro quando o assunto é NFT e música eletrônica. Em comemoração aos 3 anos de seu álbum Ultraviolet, 3LAU vendeu 33 NFTs que, somados, bateram a incrível marca de 11,6 milhões de dólares (aproximadamente 65 milhões de reais). 

Ele se uniu com o animador e artista visual Mike Parisella para criar o projeto SSX3LAU, onde criam obras audiovisuais que foram vendidas através da tecnologia NFT. Abaixo, você confere algumas de suas peças.  

Outra vantagem da negociação de bens através dessa tecnologia é o fato de que o NFT pode ser codificado para que o artista receba sempre uma porcentagem do valor no caso de revenda. Isso permite que essas vendas sejam centralizadas na mão do produtor do conteúdo e não na de gravadoras ou empresas terceiras, dando assim uma maior liberdade e valor ao artista. 

O bilionário Elon Musk, CEO da Tesla e de vários outros negócios como a SpaceX, a maior companhia privada voltada para a exploração espacial, também resolveu se aventurar no mundo dos Tokens Não Fungíveis. Em seu twitter, publicou um vídeo dizendo que estaria vendendo uma música sobre NFTs, como um NFT, mas logo após receber propostas milionárias, publicou outro tweet desistindo da venda. 

Jack Dorsey, o CEO do Twitter, vendeu o seu primeiro tuíte publicado como um NFT, por US$ 2,9 milhões (aproximadamente R$ 15 milhões, em conversão direta). Dorsey já informou que o dinheiro da transação vai ser direcionado na íntegra para a instituição Give Directly Africa Fund, que auxilia pessoas em situação de pobreza.

Don Diablo anunciou a venda de um NFT que quebrou as barreiras digitais, criando um híbrido entre o mundo real e virtual: um gabinete físico com um cartucho que ao ser inserido revela um holograma que representa o seu primeiro teclado, comprado ainda na infância. E além disso, ele contém uma música na qual ele vem trabalhando há mais de 19 anos, considerada a sua obra prima e nunca antes mostrada para alguém, o item foi vendido por 170 mil euros (aproximadamente um milhão de reais

Artistas como Flume e Deadmau5 também entraram no jogo. O criador da label mau5trap se uniu ao artista OG Slick para lançar uma coleção de peças que incluem tracks ainda não lançadas de seu próximo álbum. Flume anunciou o lançamento de Saccade, o primeiro de uma série de NFTs em parceria Jonathan Zawada, artista responsável pela criação e direção de arte de quase todos os materiais do produtor. 

E o comprador, como fica? 

Talvez você esteja se perguntando porque alguém pagaria centenas de milhares de dólares em um vídeo que está disponível para qualquer um ver pela internet? Assim como quadros e outras obras de arte, os NFTs estão sujeitos à cópia, você pode ter uma réplica perfeita da Monalisa na parede da sua sala, mas você saberá que aquela não é a original. 

Ao comprar um produto através dessa tecnologia, você tem um atestado inviolável da originalidade do mesmo, ele é único e somente seu! Quem compra um NFT geralmente é impulsionado pela escassez, podendo ter o status de ser o único dono de determinada obra.

Os NFTs também podem ser utilizados como uma forma de especular no mercado, ao comprar um produto esperando que ele se valorize, podendo ser vendido mais caro no futuro. 

Nem tudo são Good Vibez 

Apesar de parecer uma tecnologia sustentável e positiva, os NFTs estão atrelados a algumas polêmicas sociais e ambientais. Esses produtos digitais são negociados através de criptomoedas, similares ao Bitcoin, sendo a Ethereum a mais utilizada delas, tecnologia na qual demanda enormes quantidades de energia para se manter funcionando. 

Essas moedas virtuais vêm ao mundo através do processo de “mineração”, onde profissionais passam horas resolvendo problemas lógico-matemáticos extremamente complexos, e é a resolução destes problemas que verifica as transações da moeda. 

Ou seja, os mineradores são peças-chave para a existência e manutenção das criptomoedas, já que fornecem seu tempo e capacidade computacional para solucionar estes problemas matemáticos. E é justamente esse processo que consome quantidades exorbitantes de energia, estudos afirmam que os mineradores de Bitcoin consomem a mesma energia que a Colômbia, um total de 72 TeraWhatt-hora.

Além disso, os NFTs geraram uma certa polêmica entre os produtores e fãs de música eletrônica: alguns artistas se posicionaram contrários ao movimento dos Tokens, visto que, em tese, esse mercado só é acessível aos ricos. Em seu Twitter, Lane 8 fez um desabafo sobre essa nova tendência. 

NFTs são o futuro da arte digital? 

Há quem acredite que os NFTs vieram para ficar, e há quem pense que eles serão apenas mais uma moda passageira. Se analisarmos a trajetória dessa tecnologia desde a sua criação, com ênfase em seu último ano, é possível ver uma crescente exponencial, contínua e firme. Sendo esse crescimento ao longo dos anos um dos grandes motivos pelos quais tantas pessoas vêm investindo altíssimas quantidades nesses ativos, especulando na esperança de uma valorização.

Envolvida em polêmicas desde o início, é inegável que ela vem ganhando cada vez mais espaço, mas será que ela veio para ficar? E quanto à acessibilidade, ela pode vir a ser inclusiva para todos os fãs? Conte pra gente o que você acha! 

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