O que transforma uma pessoa em um fã? (parte 1)

O que será que faz com que uma pessoa se torne tão vinculada a um artista, marca, movimento artístico ou expressão cultural?

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Olá, meus caros e minhas caras, como vocês estão? Espero que todos estejam bem. Sim, estou um pouco sumido, mas é por um bom motivo. Nas últimas semanas, comecei um movimento de pesquisa (gostaria de chamar de jornada) que muito vem me agradando intelectualmente e, ao mesmo tempo, vem proporcionando diversos insights que podem ser aplicados na carreira de artistas como você, que está lendo este artigo. 

A pesquisa começou com uma simples, porém profunda pergunta: “O que transforma uma pessoa em um fã?” O que será que faz com que uma pessoa se torne tão vinculada a um artista, marca, movimento artístico ou expressão cultural? Essa pergunta que estou buscando responder será o tema deste artigo e dos próximos que virei a escrever aqui para Eletro Vibez. 

Bom, para saber o que transforma uma pessoa em um fã, o primeiro passo óbvio em minha visão seria buscar objetos de pesquisa que possuem uma base de fãs muito grande e muito forte, foi então que selecionei algumas empresas, movimentos culturais, expressões e até filmes. Eis meus selecionados: Disney, Star Wars, Festival Tomorrowland, Flamengo, Carnaval, Marvel, Rock in Rio, BTS e Red Bull. 

Uma vez selecionados meus alvos de estudo, comecei pelo que para mim é a empresa mais bem sucedida em cativar, emocionar, entreter e fidelizar pessoas, a Disney, e aqui seguem meus primeiros insights a respeito do universo que essa marca criou. Uma observação: convido você a entender esses pontos e a traçar paralelos em como você pode utilizar estas mesmas técnicas e aplicá-las em suas carreiras. 

Para começar, os parques da Disney possuem uma missão muito clara e objetiva: “Serem os lugares mais felizes da terra” e para atingir esses objetivos, os parques fazem usos de diversos artifícios bem engenhosos que vão desde a construção de o que poderíamos chamar de um “muro natural” que tem a função de fazer os parques estarem completamente isolados de todo mundo externo, à utilização de cores específicas em postes de iluminação e objetos pouco estéticos para que sua atenção seja dissipada desses pontos. O nome dessa cor é Go Away Green ou, em tradução livre, verde-vá-embora. 

Mas, para mim, os pontos interessantes de abordamos nessa jornada da construção de um fã, usando a Disney como exemplo, são os seguintes: os parques da Disney se comunicam diretamente com as memórias afetivas dos frequentadores, no sentido de que cada parte do parque é projetada para ativar alguma memória carinhosa das pessoas, algo relacionado a algum momento especial da vida, um filme da Disney que já foi assistido, por exemplo. 

O segundo ponto que, para mim, é um dos mais importantes, é que a Disney criou um ecossistema dentro de seus parques que permite com que as pessoas se divirtam e se expressem sem terem medo das consequências e das pressões sociais do dia a dia. Traduzindo: um adulto que frequenta um parque da Disney não será julgado pelas pessoas caso se comporte de maneira mais infantil e brincalhona, pelo contrário, esse comportamento é encorajado nos parques. 

Um resumo:

O que isso significa? Bom, já cheguei a comentar algumas vezes que o que eu mais acredito que transforma uma pessoa em um fã seja o grau de profundidade de conexão emocional que a pessoa sente em relação ao artista ou marca. Continuando a análise, você pode causar uma sensação que pode fazer com que a pessoa goste de você ou da sua marca, mas proporcionar um ambiente de segurança em que a pessoa possa vivenciar algo que já está dentro dela e só não conseguiu um lugar para expressar, eu acredito ser muito mais potente.

Por exemplo, uma montanha-russa causa sensações bem fortes, mas ninguém (ou quase ninguém) fica super-fã de uma montanha-russa. Por outro lado, times de futebol, festivais de música e a Disney, proporcionam ambientes onde os frequentadores podem expressar algo que já estava dentro deles, permite botar para fora uma necessidade que já existia presa dentro dessa pessoa, seja a de ter um comportamento mais tribal e competitivo, como no caso dos times de futebol, ou um comportamento mais infantil e brincalhão, como no caso dos parques da Disney. 

Para concluir, a reflexão que deixo aqui é: na hora de construir sua base de fãs, algo que pode ser interessante de pensar é substituir a tentativa de causar emoções em seus fãs pela busca de proporcionar um ambiente e uma atmosfera onde seus fãs se sintam seguros de se expressar sem receio das pressões e julgamentos cotidianos. Isso faz sentido para você? Eu espero que sim. 

Continua na parte 2…

Este artigo foi escrito ao som de Landfill – Antdot, Savera