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Na foto: Avicii via rukes.com

Saúde mental e música eletrônica: Ingrid de Lima fala sobre acompanhamento psicológico e pressão do dia a dia

TRACK DA SEMANA:


Falamos para muita gente e, de certa forma, ajudamos a formar a opinião de outros tantos. Pensando nisso, a Eletro Vibez decidiu abordar de forma técnica a questão da saúde mental na música eletrônica. Em uma série de textos em que especialistas analisarão esse contexto e trarão suas visões, além de dicas, toques e soluções para que estejamos todos bem, de alma e coração. 

Nesta primeira edição, a psicóloga Ingrid de Lima Hernandes, formada pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), especialista em Neuropsicologia pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e mestranda em Psicologia Experimental na Universidade de São Paulo (USP) deu detalhes sobre o assunto! 

Quando falamos em saúde mental a primeira imagem que surge na cabeça das pessoas é a de indivíduos com transtornos psicológicos severos. Há pouco tempo, e quando eu digo pouco me refiro há dois anos, havia um estigma muito grande em relação a fazer um tratamento psicológico. Muitas pessoas acreditavam isso era só para “loucos”. 

Claro, seria muito sonho meu acreditar que hoje, em 2021, esse estigma estivesse desaparecido por completo. Mas, tendo uma perspectiva positiva, é possível dizer que pouco a pouco as pessoas estão mudando seus olhares em relação ao acompanhamento psicológico e se abrindo mais a essa possibilidade. Esse era um processo natural da nossa sociedade, mas é inegável dizer que na pandemia do COVID-19 se acelerou. 

O ano de 2020 foi crucial para as pessoas perceberem que olhar para si e aprender a lidar com as próprias questões é tão importante quanto olhar para a parte estética de nosso corpo. Isso quer dizer que a nossa saúde mental é tão importante quanto nossa saúde física, é impossível pensarmos em um sem pensar no outro, visto que somos seres holísticos e nossa mente e corpo estão conectados.

Foi nesse ano que nós nos vimos presos dentro de casa, tendo que aprender a controlar nossas inseguranças e a lidar com nossos medos. O que antes poderia ser mascarado pelo grande contato com outras pessoas, ou pelo encontro de amigos em festas e bares, agora já não é mais possível. E foi assim que o número de venda de remédios para ansiedade e depressão disparou. 

Muitas pessoas se perguntam o por quê: como tudo isso pode afetar tanto nossa saúde mental? E eu vou te explicar: muitos de nós não estamos preparados para olhar de frente para as suas questões internas e encontrar estratégias para lidar com elas. Ninguém nunca nos ensinou a identificar e controlar seus sentimentos, nós não aprendemos isso nas escolas e se você não for cursar psicologia, você provavelmente não aprenderá nas universidades também. 

Então, resta aos nossos pais e responsáveis nos ensinar. Mas será que eles estão também preparados para isso? Acredito que não. Por isso o acompanhamento psicológico é fundamental, vai ser durante esse processo que você irá aprender a criar suas próprias estratégias para identificar suas emoções e a controlar seus sentimentos. Vai ser nesse processo que você terá a oportunidade de olhar para dentro de si com um guia que te auxiliará nessa jornada.

Mas infelizmente o que acontece com a maioria das pessoas é que elas simplesmente vão deixando a saúde mental em segundo plano porque fomos ensinados a isso, a sermos sempre produtivos, estarmos sempre felizes e sorridentes, não importa o que estiver passando no nosso interior. E aqui eu quero te contar algo: nós, assim como todos os seres humanos, sentimos todas as emoções, isso inclui também as emoções negativas. E está tudo bem não estarmos bem todos os dias. Nós devemos aprender a nos respeitar, a respeitar nossa saúde mental e a nos colocar como prioridade.  

Essa máscara que muitas pessoas usam para esconder a tristeza vai sendo cada vez mais difícil de vestir. Esse fardo de estar sempre feliz e sorridente, vai ficando cada vez mais pesado. E pouco a pouco essas pessoas passam a não dar mais conta de usá-los e a partir disso surgem duas possibilidades: 1. Se dar conta da necessidade de um acompanhamento profissional; 2. Se afundarem nos sentimentos negativos que podem acarretar em depressão, ansiedade.

A mente e a música

Quando vamos a um show de música eletrônica, nós esperamos encontrar lá DJs animados, felizes, com um sorriso no rosto e que estimulem o público de forma positiva. Esse mesmo público não dá espaço para que o profissional tenha sequer um dia ruim, afinal, quem quer chegar a um show e se deparar com um DJ que não está produzindo novas músicas e que não está feliz? Muitos se perguntam como poderia alguém não ser feliz vivendo essa vida de viagens, shows, etc. E se esquecem de que cada ser humano é singular e por isso cada um tem suas próprias questões pessoais.

Pode ser que esse DJ passe a vestir uma máscara, que esconda seus verdadeiros sentimentos, que o esconda nos momentos de tristeza; para que assim ele se sinta adorado pelo público. Mas, gradativamente essa máscara vai se tornando mais difícil de usar e o fardo de estar sempre feliz vai se tornando mais pesado. Até que ele não consiga mais usá-los. 

É quando esse cara, aclamado pelo público, entra em uma espiral de pensamentos negativos e catastróficos da seguinte forma: se ele está infeliz, ele se torna improdutivo e por se tornar improdutivo ele fica mais infeliz. Afinal, como o público o aceitará dessa forma? É nesse momento que esse DJ pode se ver sem saída e nada parecer mais fazer sentido. 

Você, público, consegue identificar algum DJ que tenha passado por isso? Tenho certeza que sim!

É preciso que fique a mensagem: falemos sobre saúde mental, conversemos sobre nossos sintomas ansiosos, depressivos, porque quanto mais falarmos sobre isso, mais esse diálogo se tornará aceito e assim conseguiremos, juntos, quebrar esse estigma em relação à saúde mental que faz tantas vítimas. 

Quantas e quantas pessoas não tiraram suas próprias vidas por não saber lidar com suas emoções? Quantas mais precisão vivenciar isso para que nós aprendamos a ter um olhar mais empático? Então, sejamos mais empáticos, olhemos para os outros como humanos que são e que somos. Seres humanos que são errantes por natureza e que experienciam todas as emoções. Tiremos nossas máscaras da felicidade para que os outros também se sintam confortáveis em tirar as deles. Cuidemos de nós e dos outros!

Se interessou pelo trabalho de Ingrid? Ela faz atendimentos online utilizando a abordagem Cognitivo-comportamental e ajuda pessoas a lidar com suas emoções para uma vida mais saudável e feliz. Entre em contato com ela pelo Instagram ou aqui!

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