Após mais de uma década explorando diferentes vertentes da música eletrônica e conquistando reconhecimento internacional dentro do Indian Bass, o produtor brasileiro Lucca Thompson inicia um novo capítulo em sua trajetória. Sob o nome VSOLLACE, o artista apresenta um projeto que nasce menos como uma mudança estética e mais como uma tradução honesta do momento que vive dentro e fora do estúdio.
A transição não surge como ruptura, mas como amadurecimento. É como se, depois de anos experimentando texturas e linguagens sonoras, Thompson encontrasse agora um ponto de convergência entre técnica, repertório e identidade. VSOLLACE aparece como esse território onde tudo se encaixa com mais naturalidade.
Segundo o próprio artista, o projeto nasce de um impulso inevitável. A necessidade de criar algo que represente com mais precisão sua fase atual foi o ponto de partida. Ao invés de seguir tendências, a proposta é se conectar com um movimento global que já carrega forte carga cultural e emocional, mas filtrá-lo por uma perspectiva pessoal.
Essa conexão se manifesta principalmente na escolha estética. O Afro House, base do projeto, surge não apenas como gênero, mas como linguagem sensorial. Batidas orgânicas, grooves hipnóticos e elementos percussivos constroem uma narrativa que dialoga diretamente com o corpo e com o ambiente. Há também influências claras de vertentes como Tech Afro e Afro Melodic, que adicionam camadas de profundidade e emoção às composições.
As referências ajudam a entender essa direção. Nomes como Hugel, Rampa e o coletivo Keinemusik têm papel importante na consolidação de uma estética contemporânea que equilibra pista e sentimento. São artistas que transformaram a música eletrônica em uma experiência mais tátil, quase física, onde cada elemento parece respirar dentro da mixagem. VSOLLACE se aproxima dessa proposta, mas busca construir sua própria assinatura dentro desse universo.
Entre os primeiros reflexos dessa nova fase está a faixa “Ancestrais Me Guiam”. Mais do que uma música, ela funciona como manifesto do projeto. A track aposta em uma atmosfera espiritual, com construção progressiva e intenção clara de guiar o ouvinte por uma jornada. É como um convite para desacelerar a escuta e se deixar levar, não apenas pelo ritmo, mas pelo significado por trás dele.
Essa preocupação em criar experiências completas também se estende para o palco. A estreia do projeto acontece no dia 28 de março, no Crema Club, em São Paulo, com um formato que reforça essa narrativa. Em vez de um set convencional, VSOLLACE propõe uma apresentação de quatro horas, pensada como uma travessia sonora. Cada transição, cada escolha musical, funciona como capítulo de uma história maior.
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A proposta é simples na forma, mas ambiciosa na essência. Não se trata apenas de tocar músicas, mas de construir um ambiente onde público e artista compartilham o mesmo fluxo. Uma pista que deixa de ser apenas espaço físico e passa a ser experiência coletiva.
Antes mesmo dessa nova fase, a trajetória de Lucca Thompson já contava com validações importantes. Suas produções receberam suporte de nomes como Tiësto, Martin Garrix, THEMBA e Miguel Bastida, evidenciando sua capacidade de dialogar com diferentes cenas e públicos. Agora, com VSOLLACE, esse repertório acumulado se transforma em base para algo mais autoral e direcionado.
No fim, VSOLLACE não é apenas um novo projeto. É um reposicionamento artístico que troca a busca por reconhecimento pela busca por significado. Em vez de seguir caminhos já estabelecidos, Lucca Thompson parece mais interessado em construir o seu próprio, guiado por intuição, referências e, como sugere o nome de sua faixa, por aquilo que vem de dentro.







