#WikiVibez: CamelPhat, a dupla britânica de hitmakers

TRACK DA SEMANA:

CamelPhat é o duo inglês que, ao trazer tendências do underground para o mainstream, caiu no gosto do público mundial durante os últimos anos. Entre suas diversas conquistas, o projeto chegou ao posto de artista mais vendido no cenário da música eletrônica, liderando o ranking do Beatport. Porém, houve um longo caminho até o CamelPhat ser o que é hoje, e é sobre esse percurso cativante que iremos falar hoje, aqui na #WikiVibez.

Foi em 2004, em Liverpool, que Mike Di Scala e Dave Whelan se conheceram, através de uma antiga e conhecida gravadora, a 3 Beat Records. Não foi difícil que logo se identificassem como artistas, sendo que ambos tocavam em clubes noturnos da região, e que eram residentes na Society Nightclub. 

Mike já tinha uma boa experiência com a parte de produção musical, sendo que havia lançado, e até mesmo emplacado, algumas músicas como membro do Ultrabeat e Rezonance Q, e que também já tinha explorado diversas sub vertentes da música eletrônica, portanto não demorou muito – mais especificamente alguns meses – para que Mike e Dave aliassem seus interesses em projetos musicais.

Juntaram-se pela primeira vez em trio num grupo chamado The Chosen Few, projeto no qual fizeram seus primeiros grandes trabalhos juntos, como quando remixaram a clássica “Everybody Wants To Rule the World” do lendário duo inglês de pop dos anos 80, o Tears For Fears.

Logo começaram a trabalhar apenas como duo, mas ainda não com o nome CamelPhat, fato que teria um longo caminho até surgir. Fizeram diversos lançamentos de remixes, com vários nomes diferentes e curiosos para seus projetos, como Wheels e Disco, Mancini and Shake n’ Jack, Bassline Hustlers, Whelan e Di Scala, Men From Mars e Da Mode. 

Porém, foi com Pawn Shop, em 2006, que os dois artistas emplacaram um hit que chegou ao Chart Top 100 singles da Inglaterra, com o seu lançamento “Shot Away”, produzido com base no clássico “Gimme Shelter”, da banda Rolling Stones. 

Apesar disso, em momento algum, apegaram-se a apenas um desses nomes, isso porque queriam que as pessoas ouvissem e aproveitassem suas músicas, independente dos nomes que houvesse por trás. Portanto, mesmo tendo um hit emplacado, como Pawn Shop, eles ainda transitaram por seus outros nomes e, aos poucos, foram construindo sua identidade. 

O surgimento do projeto CamelPhat

Alguns anos depois, em 2008, Mike e Dave criaram mais um projeto sob novo pseudônimo, sem talvez nem mesmo saber o que isso acarretaria quase uma década adiante. Foi o surgimento do projeto CamelPhat, cujo o primeiro lançamento foi “Can You Dig It”, em 17 de dezembro de 2010, através de sua própria gravadora, a Vice Records. 

Suas primeiras apresentações foram com máscaras clássicas de luta livre, isso ainda pensando na questão da música ser julgada independentemente do artista. Mas, com o tempo, isso foi se perdendo, principalmente pelo fato de que, em 2011, a dupla tornou-se proprietária de um clube noturno luxuoso em Liverpool, onde obviamente aproveitaram para recorrentemente tocarem e onde, muitas das vezes o faziam sob o nome CamelPhat. Mesmo assim, essas máscaras se tornaram parte marcante de sua logo, nunca deixando de serem presentes para a dupla.

Nesta época, eles ainda não consideravam este como um projeto principal, e faziam boa parte de seus lançamentos por outros nomes, principalmente como Whelan e Di Scala. Com o passar dos anos isso foi mudando; em 2014, a maior parte de seus lançamentos foi como CamelPhat, sendo que, em 2015 e 2016, foi a totalidade. Nesses dois anos, lançaram diversos singles e EP’s, chegando a grandes gravadoras como a Spinnin’ e a Axtone Records, onde conseguiram emplacar alguns singles em charts como o Ultratop, da Bélgica.

A ascensão

Esse desenvolvimento e foco durante anos no projeto CamelPhat desencadeou, em 2017, um marco na carreira dos artistas, que logo representou igualmente um marco na cena da música eletrônica mundial: o lançamento da icônica track “Cola”, com o cantor Elderbrook, por uma das maiores e mais famosas gravadoras de música eletrônica do mundo, a Defected Records. 

Esta música foi responsável por propulsionar o duo CamelPhat a níveis estratosféricos, onde, em 2018, ganharam o DJ Awards de track da temporada com “Cola”; de melhores artistas de House, além de melhor grupo, pela DJ Mag Best of British Awards. Além disso, ainda em 2018, “Cola” foi nomeada ao Grammy Awards como melhor gravação de Dance, ao International Dance Music Awards como melhor canção, ao Ivor Novello Awards como melhor música contemporânea e ao WDM Radio Awards como melhor track de pista de dança. 

A partir disso, todos os outros lançamentos de CamelPhat emplacaram. “Breathe”, “Rabbit Hole”, “Be Someone”, “Hyper Colour”, entre outras icônicas tracks. Isso sem contar os seus atuais remixes, que tem bombado, para artistas como Calvin Harris, Becky Hill, Fatboy Slim, Artbat e London Grammar. 

Dentre estes, há uma versão de “Panic Room”, da artista Au/Ra, cuja versão eletrônica proposta pelo CamelPhat foi nominada, em 2019, para o posto de melhor música eletrônica, por meio da premiação International Dance Music Awards, além de ser seu terceiro single platina, depois de “Cola”, e também de “MK – 17”, track na qual participaram da produção.

E não só por uma discografia incrível eles são reconhecidos, mas também por clipes muito interessantes, algo que trazem consigo desde seus lançamentos, como em “Shot Away”, de 2006, época na qual já produziam clipes originais. “Be Someone”, por exemplo, foi nomeada em 2019 como melhor vídeo de Dance da Inglaterra e melhor edição em um vídeo, pela premiação UK Music Awards. 

Seja com videoclipes ou vizualisers, animações que interagem com a música, CamelPhat sempre traz artes visuais que dão ainda mais vida às suas incríveis tracks. 

A consolidação

Em 2020, lançaram, através da Sony Music, seu primeiro álbum, o “Dark Matter”, que traz novamente alguns de seus hits como “Panic Room”, “Cola”, além de músicas exclusivas com grandes artistas como Ali Love, ARTBAT e Maverick Sabre, isso tudo envolto por uma identidade visual linda e impactante. Álbum este que trouxe ainda mais tracks marcantes, como Easier e Spektrum. Um produto que propulsionou ainda mais o CamelPhat, e que vem continuamente influenciando artistas ao redor do mundo.

Em 2021, o CamelPhat, torna-se o campeão histórico de vendas totais de discos no BeatPort! Isso significa que estão definitivamente entre os artistas de música eletrônica mais tocados da atualidade, e também que esse duo será responsável por trazer ainda mais tendências para a cena eletrônica mundial. 

Para finalizar esse #WikiVibez é preciso responder a uma pergunta intrinsecamente latente em todo o ouvinte de CamelPhat, seja o fã nato ou aquele que aprecia sua estética: porque esse nome? Bom, essa é uma resposta difícil de responder, principalmente pelo curioso fato de parecer que nem eles mesmos tem certeza quanto a isto. 

Após brincar que tinha a ver com o entusiasmo ao viajar por safáris e se inspirar por camelos gordos, Dave Whelan diz que o nome surgiu de maneira natural ao buscarem juntos, no início do projeto, algo que pudesse fazer com que se sobressaíssem em flyers, em logos e, de fato, esse é um nome que indiscutivelmente chama nossa atenção, não é mesmo?

Não nos resta dúvidas de que essa longa carreira de Mike e Dave, que se desenvolve a décadas, vai nos surpreender ainda mais, e que CamelPhat é um projeto que veio para ser atemporal.