Mary Mesk vive um dos momentos mais consistentes de sua trajetória internacional. Depois de uma sequência de apresentações fora do Brasil durante os últimos meses, a DJ e produtora brasileira vive dois novos capítulos importantes de 2026: o retorno ao Burning Man, no deserto de Nevada, e sua participação na próxima edição da X Future São Paulo, label party do duo suíço Adriatique, que acontece em setembro, em São Paulo.
A movimentação é consequência de uma temporada que colocou Mary novamente em contato direto com alguns dos principais circuitos da música eletrônica internacional.
Um dos momentos de maior peso aconteceu em 27 de maio, no Hï Ibiza, quando a brasileira integrou a abertura da temporada da OFFWEEK no Club Room. Na mesma noite, o Theatre recebeu a abertura da residência OUR HOUSE, de MEDUZA e James Hype, enquanto Mary dividiu a programação do Club Room com Agents Of Time, Zamna Sound System e Brina Knauss.
A participação ganhou ainda mais relevância pelo contexto. Em 2026, a OFFWEEK deixou Barcelona pela primeira vez para assumir uma residência de dez quartas-feiras no Hï Ibiza, entre maio e julho, reunindo nomes como Mind Against, Helena Hauff, Colyn, Layla Benitez, Alex Wann, Fideles e Recondite. Mary esteve entre os artistas escolhidos para representar essa nova fase internacional da plataforma, levando o Brasil mais uma vez à ilha espanhola.
Na sequência, a artista também passou pela edição da OFFWEEK em Dubai, em 13 de junho, e por Barcelona, onde tocou no Zamna Barcelona, no Opium, em 21 de junho, ao lado de Henri Bergmann, Joezi e Zamna Sound System.
Mais do que uma sequência de datas internacionais, os compromissos ajudam a dimensionar o espaço que Mary vem construindo dentro de uma vertente mais sofisticada e underground da música eletrônica. Sua identidade transita entre melodic house, progressive e techno, equilibrando atmosfera, narrativa e pressão de pista — uma linguagem que vem aproximando seu trabalho justamente de algumas das plataformas mais influentes desse circuito.
De Ibiza para Black Rock City
O próximo destino ampliou ainda mais essa trajetória. Mary foi presença confirmada no Burning Man 2026, que transformou Black Rock City, no deserto de Nevada, entre 30 de agosto e 7 de setembro.
A brasileira retornou ao festival para apresentações ligadas ao Favela Artcar, um dos projetos brasileiros mais emblemáticos da Playa. Entre as apresentações, a artista fez dois sets em B2B com Du Serena, nos dias 1º e 2 de setembro.
A relação com o Burning Man não é inédita. Mary já passou anteriormente pelo festival, experiência que faz parte de uma trajetória construída também em pistas e festivais como Tomorrowland Brasil, Lollapalooza Brasil e DGTL São Paulo.
O retorno em 2026, portanto, acontece em outro estágio de sua carreira: com maior circulação internacional, repertório autoral crescente e uma identidade artística cada vez mais definida.
Mary Mesk encontra o universo X Future
Poucas semanas depois de Black Rock City, Mary retorna ao Brasil para outro compromisso de peso. No dia 26 de setembro, ela integra o line up da nova edição da X Future, do Adriatique, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. A programação reúne Adriatique, Samm, Volkoder, Coppola e Mary Mesk, colocando a brasileira dentro de uma curadoria diretamente conectada ao atual circuito internacional do house e techno.
Criada pelo duo suíço formado por Adrian Shala e Adrian Schweizer, a X Future nasceu em 2023 como uma extensão do universo artístico do Adriatique. Mais do que uma label party tradicional, o projeto combina música, arte, arquitetura, tecnologia e produção audiovisual em grande escala e já passou por destinos como Amsterdã, Londres, Miami, Dubai e Tulum.
Em São Paulo, o conceito retorna sob a máxima “X Is Forever”, ocupando novamente o centro da cidade e transformando o Vale do Anhangabaú em parte da própria experiência audiovisual.
Estar nesse line up também reforça uma característica importante do atual momento de Mary Mesk: sua presença não acontece apenas pelo fato de ser uma artista brasileira em ascensão, mas pela afinidade musical com uma cena internacional que vem redefinindo os limites entre progressive, melodic house e techno.
Uma trajetória construída no underground
Paralelamente à agenda de apresentações, Mary segue desenvolvendo seu trabalho como produtora e à frente da Mesk Records, selo criado como extensão de sua própria identidade artística e também como plataforma para novos talentos.
Em junho, por exemplo, lançou “Function” pela própria gravadora, dando continuidade a uma sequência de produções que vem aumentando o peso de seu catálogo autoral.
Essa combinação entre produção, curadoria, label e circulação internacional ajuda a explicar o momento da artista. Mary Mesk vem construindo seu protagonismo de maneira particularmente ligada ao underground: menos pela busca de exposição isolada e mais pela presença recorrente nos ambientes, projetos e lineups que hoje influenciam os novos caminhos da música eletrônica internacional.
De Hï Ibiza a Barcelona, de Black Rock City ao Vale do Anhangabaú, 2026 começa a desenhar uma linha bastante clara na trajetória da brasileira. E, entre o deserto do Burning Man e o universo audiovisual da X Future, Mary Mesk chega ao segundo semestre ocupando exatamente o território que vem construindo nos últimos anos: entre o Brasil e o mundo, com os pés firmemente posicionados na pista.


