Durante anos, Nádia construiu uma vida dentro de uma profissão que exige método, disciplina e previsibilidade. Formou-se em Direito, tornou-se advogada e seguiu um caminho que parecia organizado, até perceber que a música já não cabia no espaço paralelo que ocupava em sua vida.
A mudança aconteceu aos poucos. Nádia passou a estudar produção, pesquisar sonoridades e entender o que gostaria de construir artisticamente antes de apresentar NOMA ao mercado. A decisão central já estava tomada: ela queria se aproximar de uma vida que fizesse mais sentido para si.
Em determinado momento, percebi que precisava me aproximar mais daquilo que realmente fazia sentido para mim e permitir que uma outra parte da minha identidade ocupasse espaço. Essa mudança envolveu escolhas, renúncias, construção e, principalmente, a disposição de começar um novo caminho sem pular etapas.”
Essa experiência atravessa ‘Born To Live’, primeiro EP autoral de NOMA, lançado pela Ame Err. As três faixas nasceram de uma reflexão sobre propósito, identidade e sobre os momentos em que a rotina, as expectativas e as referências externas nos afastam daquilo que realmente desejamos.
A faixa-título surgiu como um manifesto em torno dessa inquietação. Nádia escreveu o vocal pensando naquele instante em que alguém percebe a distância entre simplesmente seguir vivendo e se sentir, de fato, presente na própria vida.
A partir daí, o EP acompanha uma transformação em três movimentos. ‘Born To Live’ representa o despertar; ‘One Way Road’, a decisão de seguir em frente; ‘Someone New’, o reconhecimento de uma nova versão de si mesma depois desse processo.
Para mim, tornar-se ‘someone new’ significa chegar a uma versão de si mesma que talvez estivesse ali o tempo todo, esperando espaço para aparecer. Existe uma sensação de renascimento, mas também de reconhecimento.”
Musicalmente, NOMA encontra no melodic techno seu principal território neste momento. Sua estética é noturna, densa e hipnótica, construída para a pista, mas sempre atravessada por emoção. A artista costuma resumir essa busca como “euforia no corpo e transe na mente”, uma ideia que ajuda a entender a relação entre peso, repetição, tensão e atmosfera presente em seu trabalho.
O nome NOMA também nasce desse universo. A palavra aproxima “nomad” e “alma”, duas ideias que remetem a movimento, liberdade e identidade e que acabaram se conectando naturalmente à trajetória da artista.
O selo Ame já fazia parte dessa imaginação enquanto ‘Born To Live’ era construído. Nádia enxergava no selo uma afinidade com a sonoridade e com a cena em que gostaria de inserir seu projeto, tornando essa estreia também um encontro entre uma direção artística e o espaço que ela imaginava ocupar.
Desde que comecei a construir ‘Born To Live’, a Ame Records/Ame Err era a gravadora em que eu imaginava esse projeto sendo lançado. Ver esse trabalho ganhar vida através do selo transforma algo que antes existia como intenção em uma etapa concreta da minha trajetória.”
Depois do EP, NOMA já prepara novas produções e colaborações e tem presença confirmada no Amsterdam Dance Event 2026, dando continuidade a uma fase autoral que começa agora a ganhar forma pública.
‘Born To Live’ marca esse primeiro capítulo a partir de uma história muito concreta: a de alguém que percebeu que existir dentro de um caminho seguro já não era suficiente. Nádia conhecia a sensação de estar viva, NOMA nasceu quando ela decidiu descobrir o que significava realmente viver.


