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Eduardo Vieira conta como unir a Musicoterapia com os cuidados com a saúde mental

TRACK DA SEMANA:


DJ, produtor e estudante de medicina, o gaúcho explicou em detalhes sobre suas experiências e como o conhecimento o ajudou a encontrar novas formas de cuidar da cabeça

Em mais um capítulo da série dedicada aos cuidados com a saúde mental, a Eletro Vibez entrevistou Eduardo Vieira Rosa, de 21 anos, gaúcho de Porto Alegre. Ele é estudante de medicina na Universidade Federal do Pampa, além de DJ e Produtor Musical de música eletrônica no projeto VYERA

Membro da Liga Acadêmica de Neurociências e Saúde Mental (LACASMN) e da Liga Acadêmica de Medicina e Artes (LAMA), Eduardo sempre teve bastante interesse nas áreas de estudos que relacionam a música e a saúde mental e, por isso, ele foi convidado a falar sobre o cenário geral e também detalhar sobre o conceito de Musicoterapia. 

DEPRESSÃO E ANSIEDADE NA MÚSICA ELETRÔNICA 

A partir do século XXI, foram diagnosticadas mais de 450 milhões de pessoas com algum transtorno mental. Destaca-se, entre as mais recorrentes patologias mentais, a depressão e a ansiedade. Ambas doenças são fatores de risco de uma grande causadora de morte – o suicídio. Nesse contexto, dados coletados em 2015, demonstraram que o suicídio ficou na 10ª posição de maiores causas de morte do mundo, sendo considerada por muitos especialista da área como o novo grande mal do século. 

O que são essas doenças? A depressão é caracterizada por desinteresse ou desprazer, distúrbios do sono ou apetite, fadiga, dificuldades cognitivas, ideias recorrentes de morte e tristeza ou irritabilidade. Já a ansiedade é uma emoção natural e fundamental à autopreservação, ainda que a sensação seja de alterações físicas desagradáveis ou sensação de apreensão, porém é caracterizada em condições patológicas a partir do momento em que ela se torna mais frequente e intensa. 

Os artistas de música eletrônica, em grande número, sofrem dessas doenças. Nas redes sociais, aparentam uma vida dos sonhos, viajando por todos os cantos do mundo em turnês, vivendo em festas e se divertindo com os amigos. Entretanto, a realidade é totalmente diferente. Em 2017, a instituição britânica Help Musicians publicou uma pesquisa realizada com 680 artistas de música eletrônica, a qual constatou que 71% afirmaram ter sofrido de ansiedade e 68% afirmaram ter sofrido de depressão. 

A profissão em específico possui alguns fatores que colaboram no surgimento desses transtornos mentais, como a instabilidade financeira, a grande cobrança de trabalho, a fadiga, a falta de reconhecimento, a frustração profissional e principalmente a baixíssima qualidade de vida. Os autores da pesquisa realizada pela Help Musicians UK relatam que “fazer música é terapêutico, mas fazer carreira na música é destrutivo”.

Grande exemplo dessa difícil profissão é Tim Bergling, o nosso Avicii, que foi um dos maiores DJs e produtores de música eletrônica da história, sendo referência para muitos que seguem no ramo. Em 20 de abril de 2018, o DJ, que sofria de depressão e ansiedade, infelizmente foi vítima do suicídio. 

MUSICOTERAPIA: UM GRANDE INSTRUMENTO CONTRA A DEPRESSÃO 

Musicoterapia é uma prática com música no contexto clínico de tratamento, reabilitação ou prevenção de saúde e bem-estar. A música age diretamente na região do cérebro que é responsável pelas emoções, gerando motivação e afetividade, além de aumentar a produção de endorfina, que é uma substância naturalmente produzida pelo corpo, que gera sensação de prazer. Essa união de medicina e arte já vem sendo utilizada pela psiquiatria para auxiliar contra a depressão e ansiedade.

Conforme pesquisa científica do Mindlab International, conduzida pelo Dr. David Lewis-Hodgson, foi criada uma lista das 10 músicas mais relaxantes do mundo. Essas músicas são eficazes contra a ansiedade e o estresse, ajudando a reduzir a pressão arterial, a frequência cardíaca e os níveis de hormônio cortisol. A faixa que lidera o ranking – Weightless, de Marconi Union – chega a reduzir em até 65% os níveis de ansiedade. Então, sigam a playlist criada com essas músicas selecionadas e vamos restaurar a saúde desgastada com a exaustão das nossas rotinas. 

Ainda que se creditem muitos problemas ao contexto que tem a música como protagonista, você soube neste material que ela não causa mal. Ela só é capaz de ajudar, de contribuir e de acalentar. Seja com a Musicoterapia, seja com aquele som querido que te faz sentir coisas melhores. É preciso saber dosas as coisas e os momentos, mas a música sempre como companhia. 

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