Porque Réveillon de Alok para 2 milhões de pessoas é um marco para o nosso som

Porque Réveillon de Alok para 2 milhões de pessoas é um marco para o nosso som

Para dar adeus a 2019 e começar 2020 com as melhores vibez, Fortaleza, a capital do Ceará, viu quase dois milhões de pessoas se amontoarem na orla da praia para assistir, entre outras atrações, um set de Alok

O mais bem ranqueado DJ brasileiro entre os profissionais da área e também um hitmaker que vai muito além da cena da música eletrônica, o goiano tem produzido feitos que merecem atenção e desprendimento de preconceitos. Fortaleza é um desses casos e são eles o motivo desse texto. 

Quem escreve esse artigo, em 2018, em sua cidade com menos de 30 mil habitantes, foi a um rodeio que receberia Alok. A cidade mal sabia quem era o famoso, mas tinha ciência de que ele “apareceu na televisão”. 

Acostumado com shows sertanejos de pouca expressão, a cidade abraçou a chance e lotou o pequeno recinto. Com 10 minutos de show, as arquibancadas não interagiam com os remixes de Avicii ou com a track Fuego. Aí é que está. 

Minuto a minuto, com remix para Mamonas Assassinas, com Red Hot Chilli Peppers e Raimundos, o público abraçou, cantou alto, não sentou mais. Ao fim, todos pulavam, meio que sem saber o porquê, ouvindo “United”, track que Alok produziu com Armin Van Buuren e Vini Vici. 

Qual era a chance de uma cidade interiorana e calcada na vida do sertão estar, no meio de uma madrugada, extravasando energia ao som de trance, em altíssimo BPM. Eles todos não sabem, mas o dia seguinte foi de pura reverência àquela hora de Alok por aqui. 

Seja nos confins, seja nos palcos mais famosos como o Rock in Rio ou o Tomorrowland Belga. A carreira desse cara, gostemos ou não de um som aqui e outro acolá, é a democratização do som que até ontem, era marginalizado no país. 

Era coisa de gente que fazia coisa errada, você sabe, você já foi julgado por ouvir. Hoje, talvez, você ouça na rádio e veja seus pais batucarem com as mãos ou ensaiarem umas letras levemente confusas, mas ainda empolgadas. Se o som é muito ou pouco eletrônico, importa quase nada. É música. 

O set com Vintage Culture, o expoente de uma música eletrônica dedicada aos mais enraizados fãs demonstra, também, que as vertentes dialogam, somam, divertem. Dá pra coexistir numa boa. 

O carnaval terá um e também terá o outro. Como a virada do ano teve mais de UM MILHÃO de pessoas cantando uma track absolutamente eletrônica, tirando os pés da areia enquanto o beat tomava conta da praia. Desde quando víamos isso? Amanhã, por isso, outros DJs podem estar lá. É a porta de entrada, é o primeiro contato, o despertar do interesse. 

É preciso olhar com menos preconceito. É o nosso som, são as nossas vibez ganhando voz, capa de jornal, matéria na tevê, atenção do anunciante, desejo do produtor e do evento. O que ontem era distante, hoje tá bem ali, na areia da praia. 

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