Ao longo dos últimos anos, o Surreal Park transformou o feriado de páscoa em um momento super aguardado dentro do calendário eletrônico nacional.
O que começou como uma proposta de festival autoral se consolidou como uma tradição anual do club, — um encontro que amplia a escala artística do complexo e apresenta recortes curatoriais mais profundos da música eletrônica. No dia 03 de abril, o projeto chega à sua quarta edição com o Festival Soul Surreal, sucessor das edições Terra (2022), Youniverse (2023) e Sublime (2025).
Mais do que um festival, o Soul nasce como uma celebração da essência que move a pista: identidade, história e conexão. Para isso, o Surreal reúne três palcos simultâneos — Ritual, Bells e Nomad — cada um assinado por uma instituição distinta da cultura eletrônica mundial, criando uma experiência que atravessa house, techno e progressive house com profundidade e coerência artística.
Ritual by Defected: a história viva da House Music
O maior palco do complexo recebe uma assinatura altamente simbólica: Defected, uma das marcas mais importantes e longevas da House Music mundial. Ter a label britânica à frente da curadoria do Ritual representa, na prática, trazer parte da própria história do gênero para o Brasil.
Um dos grandes encontros da noite acontece com Carl Craig b2b Moodymann, dois nomes fundamentais da escola de Detroit — cidade que moldou as bases do house e do techno como conhecemos hoje.
Mais do que DJs, ambos representam diferentes visões artísticas nascidas do mesmo berço cultural: Carl Craig com sua abordagem futurista e refinada, e Moodymann com sua estética crua, soulful e profundamente enraizada na tradição afro-americana. Juntos, prometem um momento raro, carregado de significado histórico e musical.
Outro destaque é KiNK (live), artista búlgaro reconhecido mundialmente por performances imprevisíveis e altamente orgânicas. Seu formato ao vivo transforma a pista em um verdadeiro furacão, tornando cada apresentação única — e especialmente aguardada pelo público brasileiro, já que suas passagens pelo país são raras.
A noite também marca a estreia de Mochakk no Surreal, um dos nomes brasileiros de maior projeção internacional na atualidade. Seus sets explosivos e altamente performáticos conquistaram pistas ao redor do mundo e o levaram a alguns dos festivais e clubs mais importantes do planeta, como Coachella, Time Warp, Primavera Sound e Circoloco no DC-10 de Ibiza.
Mochakk também se consolidou como produtor, fazendo lançamentos por selos influentes como a própria Defected, Circoloco, Ninja Tune, Nervous e Black Book, além da criação de sua própria label, MOTRAXX. Fenômeno da nova geração do house, sua chegada ao club era aguardada há tempos.
Outro nome essencial desta narrativa é Ratier. Criador do Surreal Park e figura central na construção da cena eletrônica brasileira nas últimas três décadas, ele representa a ponte entre diferentes gerações da cultura clubber no país. À frente do lendário D-EDGE por mais de 25 anos e responsável por introduzir no Brasil alguns dos artistas mais influentes da música eletrônica mundial, Ratier consolidou uma trajetória marcada por visão curatorial e espírito pioneiro.
No Soul Festival, sua presença no lineup reforça justamente essa dimensão: ele é um dos personagens que ajudaram a moldar o ecossistema que hoje permite encontros dessa magnitude acontecerem. E ainda, como DJ, traz uma pesquisa musical potente e versátil, sempre muito elogiada pelo público.
O lineup do Ritual também abre espaço para duas trajetórias que representam diferentes camadas da cena atual. Jame C, artista mineiro que começou a produzir música ainda aos 12 anos, construiu uma identidade sonora marcada por referências que atravessam hip hop, jazz fusion e disco, combinadas com synths e timbres clássicos da house music.
Ao seu lado, Aline Rocha traz uma presença consolidada nas pistas internacionais, com performances em palcos icônicos como Hï Ibiza (nas festas Defected e Glitterbox), Ministry of Sound em Londres e Defected Croatia. No Brasil, também soma apresentações em festivais de grande relevância, como Lollapalooza e Rock in Rio, construindo uma trajetória que conecta house, disco e grooves soul com forte apelo de pista. Juntos, eles reforçam a proposta do palco de equilibrar história, presente e novas perspectivas dentro da house music.
Bells by D-EDGE: o retorno do techno com força
Se o Ritual mergulha na alma da house, o Bells by D-EDGE representa a potência do techno em sua forma mais pura. A assinatura do lendário club paulistano carrega um peso histórico incontestável: são mais de 25 anos de atividade contínua, incontáveis noites emblemáticas e um papel decisivo na formação da cultura eletrônica brasileira. A curadoria resgata uma identidade muito pedida pelo público do Surreal: o techno intenso, hipnótico e direto para a pista.
O headliner é Len Faki, nome com mais de 30 anos de carreira, residente histórico do Berghain e um dos mais respeitados do gênero. Dono de sets precisos e energéticos, ele simboliza a conexão entre a tradição das pistas europeias e a força que o techno sempre teve nas noites brasileiras — especialmente em São Paulo, cidade profundamente ligada ao DNA do D-EDGE.
Ao seu lado, Mila Journee e Aninha, além de um ainda não divulgado, completam o palco, criando uma progressão sonora que mantém tensão e intensidade constantes do início ao fim.
Nomad by We Are Lost: narrativa e profundidade progressiva
O terceiro eixo do festival acontece no Nomad by We Are Lost, label comandada por Guy J, responsável por uma das comunidades mais fiéis do progressive house contemporâneo.
Esta será a quarta passagem de Guy J pelo Surreal Park, consolidando uma relação especial com o público — cada visita marcada por pista sempre cheia. Desta vez, ele divide a noite com outro nome essencial do gênero: Sasha, verdadeiro ícone do progressive house e figura central na evolução estética da música eletrônica desde os anos 90.
Completam o lineup Sahar Z, DJ e produtor israelense conhecido por sua abordagem hipnótica e emocional dentro do progressive, l, Teclas, reforçando a proposta do Nomad como espaço de construção narrativa, transições longas e experiências imersivas.
Soul: entre a música e o pertencimento
O nome do festival não surge por acaso. Soul representa tanto a alma da música quanto a experiência individual de quem atravessa o Surreal Park. Em poucos passos, o público transita entre universos sonoros completamente distintos — da house clássica ao techno intenso, do progressive imersivo à atmosfera aberta e natural do complexo.
Essa liberdade de circulação, somada à integração com a natureza e aos amplos espaços ao ar livre, transforma a experiência em algo pessoal e coletivo ao mesmo tempo. Cada visitante constrói sua própria jornada, encontrando diferentes ritmos, energias e conexões ao longo da noite. No fim, o conceito se completa quase como uma declaração: dentro do festival, cada participante pode dizer que faz parte da experiência.
O Festival Soul Surreal acontece no dia 03 de abril de 2026, no Surreal Park. Ingressos antecipados já estão disponíveis nas plataformas oficiais. Acesse através do site.
Mais informações, horários e atualizações serão divulgadas nos canais oficiais do Surreal Park.







