Existem momentos na carreira de um artista que servem como um divisor de águas, e para Tugen, 2026 é esse ano. Após um período de introspecção e crise criativa que quase o afastou das cabines, o DJ e produtor paulistano ressurge com uma identidade renovada.
O novo single, “Sonho Sem Fim”, lançado no início deste mês por sua própria gravadora, a Alterego, é o segundo capítulo de um EP de três faixas que marca essa transição de um som abrangente para uma assinatura mais brasileira e orgânica.
Ex-baterista e entusiasta do desenho desde a infância, ele chegou a cursar arquitetura e publicidade antes de se entregar totalmente à produção musical. No entanto, o crescimento do projeto em 2023 e 2024 trouxe também o peso das expectativas e das críticas externas.
“Essas vozes ganharam um terreno fértil porque eu vivia ansioso. Entrei numa crise e pensei em largar tudo, mas esse tempo só me mostrou o quanto a música é o que eu amo e sei fazer”.
O retorno foi impulsionado por convites para collabs com nomes como Galucci e Acrobatik (dando vida a “Storm”) e Pontifexx (ao remixar “Underwater”), servindo de combustível para uma reformulação total do projeto.
O ponto de partida dessa nova estética foi o single “Sol“, lançado em fevereiro. A faixa marcou o relançamento oficial do projeto, apresentando uma mistura entre instrumentos gravados ao vivo e texturas orgânicas.
Com uma letra que fala sobre a esperança do sol voltar a brilhar, a produção serviu como base para o direcionamento sonoro que Tugen agora consolida, fundindo house com a essência da música brasileira de forma autêntica.
Agora, em “Sonho Sem Fim”, Tugen explora o que chama de fase experimental mas, acima de tudo, verdadeira. A faixa é uma fusão de house com bossa nova e samba, trazendo elementos gravados ao vivo que dão um respiro orgânico à produção. O baixo, por exemplo, utiliza samples de surdo de samba-enredo, enquanto a percussão inclui sons inusitados, como uma caneta batendo em um copo.
Nesta nova fase, estou usando mais elementos originais desde a composição. Busquei inspiração em artistas como Tim Maia e Jorge Ben Jor para criar algo autêntico, sem copiar ninguém ou seguir um estilo pré-definido”
Outro destaque é o próprio Tugen assumindo os vocais em português em um dueto que reforça o lado compositor do artista.
Essa busca pela verdade também transborda para a identidade visual. Tugen arquivou todo o seu passado no Instagram para recomeçar do zero, adotando uma estética baseada em materiais analógicos, fotos com filmes texturizados e vídeos filmados em Super8.
A conexão com o desenho também voltou a ganhar espaço, aparecendo nas artes das capas e em projetos futuros de visualizers e clipes que exploram universos surrealistas.
Com o olhar voltado para o futuro, Tugen planeja o lançamento da terceira e última faixa do EP para o início do segundo semestre. O objetivo é claro: consolidar-se na cena nacional através de mensagens de cura e transformação.
Quero incentivar as pessoas a serem quem são de verdade, autênticas e sem medo do julgamento. ‘Sonho Sem Fim’ fala sobre se desprender e viver em paz consigo mesmo em um mundo utópico”.
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